
Passado o período de inscrições, duas propostas foram habilitadas pelo Fumproarte, da Secretaria Municipal de Cultura, a concorrer aos R$ 350 mil previstos para a ópera rock Revolução Farroupilha - Uma História de Sangue e Metal baseada no livro Revolução Farroupilha (Mecenas Editora, 2015), do escritor Luiz Coronel e do ilustrador Danúbio Gonçalves. O grupo vencedor — que será conhecido em 6 de setembro — deverá fazer três apresentações do espetáculo na orla do Guaíba e 10 em escolas da rede pública municipal em novembro.
As duas propostas trazem diferentes abordagens e estilos, mas têm aspectos em comum, como não desprezar visões críticas ao conflito e trazer rostos conhecidos da cena nativista local. Por exemplo: se o primeiro projeto for o vencedor, Anita Garibaldi deverá ganhar voz pela cantora e apresentadora da RBS TV Shana Müller. Já se o segundo projeto vencer o edital, terá dois músicos da banda Os Fagundes no palco: Ernesto e Paulinho Fagundes.
O primeiro dos dois projetos, da produtora Camilo de Lélis Furlin - ME, com direção artística de Camilo de Lélis, prefere o termo "ópera pop" em vez de "ópera rock", como sugerido pela Câmara Municipal, que bancou a montagem. Segundo Camilo, o que o instigou a participar do projeto foi a oportunidade de apresentar a Revolução Farroupilha sob um novo olhar, menos romantizado.
— Vejo bem pouca coisa nessa guerra que deva resultar em ufanismo. Falar sobre a Revolução Farroupilha pode ser visto como uma coisa careta, mas virar as costas, fazer muxoxo, não é a melhor saída. Se você ver esse espetáculo como a possibilidade de resgatar problemáticas mal resolvidas, fica mais interessante — opina Camilo.
O diretor pretende expressar visões conflitantes sobre personagens e episódios da guerra por meio de um coro grego, que dialoga sobre as ações dos atores em cena. A trilha ficará por conta de Sergio Rojas, músico com experiência em trilhas de cinema, acompanhado de banda com instrumentos como guitarra e bateria e de um coral. As coreografias são de Rita Léndé.
— O coração do espetáculo é rock 'n' roll, mas chamaremos de roqueiros a cantores nativistas. O peso do rock servirá para mostrar a sacanagem de guerra, que é mesmo algo sujo e pesado — declara Camilo.
O segundo projeto, apresentado pela produtora Lucida Desenvolvimento Cultural, da produtora Luka Ibarra, propõe uma direção compartilhada em cinco diferentes núcleos que se unem sob a direção geral de Clóvis Rocha. A ideia do grupo foi fatiar a narrativa em verso de Luiz Coronel em blocos distintos, cada qual abordando uma fase e um aspecto da Revolução Farroupilha.
Tanto eu quanto o outro candidato temos o compromisso de fazer algo que mostre que manter esse investimento, com mais liberdade artística, vale a pena para a cidade
CAMILO DE LÉLIS
diretor de uma das propostas
— Assim, otimizamos o período possível para a criação e execução da proposta de uma forma mais plena e consistente, promovendo a profusão dos esforços criativos, alinhados — comenta Clóvis.
Os nomes de cada bloco resumem a divisão da trama: Cantos iniciais da Revolução Farrapa; Caminhos de guerra; Lamentações, mortes heroicas e covardes; A paz que buscamos e O ideal farroupilha. Conforme o diretor, ao dividir o espetáculo em cinco blocos, a mistura de estilos e visões se destaca aos olhos do público. A terceira parte do espetáculo, por exemplo, deverá abordar os Lanceiros Negros e o massacre de Porongos sob o comando do diretor negro Jessé Oliveira.
Na composição da equipe, pesou a mistura de estilos. Há desde João Maldonado, ex-tecladista da banda TNT, até músicos da Ospa, como os irmãos violinistas Ariel Santos Polycarpo e Gabriel Santos Polycarpo.
Enquanto o primeiro projeto trabalhará com luzes e projeções, o segundo aposta em um cenário baseado no trabalho de Danúbio Gonçalves, ilustrador do livro em que o espetáculo é baseado. O que os projetos compartilham é uma visão grandiosa — com mais de 40 pessoas no palco e quase uma centena de envolvidos, entre atores, músicos e bailarinos — e otimista em relação à continuidade de um espetáculo semelhante em anos seguintes, apesar das polêmicas que cercaram o lançamento do edital, recebido com reservas pelo meio cultural:
— Sei que tudo o que falamos sobre esse projeto traz embutido a polêmica que veio antes. Ele foi recebido com bastante ferocidade por alguns setores do meio artístico. Por isso, tanto eu quanto o outro candidato temos o compromisso de fazer algo que mostre que manter esse investimento, com mais liberdade artística, vale a pena para a cidade — resume Camilo.
Resumo dos projetos:
Proposta nº1: A mais roqueira das duas propostas, o musical apresentará o espetáculo com trilha sonora, banda e coro de 16 vozes. Ao longo do espetáculo, um coro grego ajudará a expor pontos de vista diferentes sobre o conflito.
Nomes da ficha técnica: Camilo de Lélis (direção artística), Silvia Abreu (produção), Sérgio Rojas (direção musical), Rita Léndé (coreografia), Roberta Spader (coreografia dança inclusiva), Renata de Lélis (figurinos), Cia Teatral Face & Carretos (maquiagem e cenografia), Ângela Russo (intérprete de Libras), José Luis C. Fagundes (iluminação) e Impacto-Vento Norte (palco, sonorização e iluminação. Músicos: Sergio Rojas, Shana Müller, Vaney Bertotto, Guiza Ribeiro, Diogo Barcelos e coral de 16 vozes.
Proposta nº2: Propõe uma divisão do texto de Luiz Coronel dividida em cinco blocos, cada um com um estilo diferente e narrando aspectos da Revolução Farroupilha que, juntos, contam a história do conflito da origem ao legado.
Nomes da ficha técnica: Lucida Desenvolvimento Cultual (produção), Clóvis Rocha (direção-geral), João Maldonado (direção - núcleo música), Dilmar Messias (direção - núcleo circo), Jessé Oliveira (direção - núcleo Lanceiros Negros), Carini Pereira e Gustavo Silva (direção - núcleo dança contemporânea e urbana), Cláudia Dutra (direção - dança folclórica) João Maldonado e Everson Vargas (arranjos), Rodrigo Shalako (cenografia) e Maurício Moura (coordenação técnica).
Músicos: João Maldonado, Ernesto Fagundes, Pedrinho Fagundes, Amauri Iablonovski, Camila Toledo, Glau Barros, Cris Brizarro, Márcio Bolzan, Cesar Audi, Ariel Santos Polycarpo, Gabriel Santos Polycarpo e Rafael Honório Sobrinho.



