
Na manhã desta segunda-feira, a volta às aulas na rede municipal foi marcada por dúvidas. Escolas começaram o ano letivo com a mesma rotina de antes, ignorando as novas diretrizes apresentadas pela prefeitura em 21 de fevereiro.
– Até onde nos sabemos, as escolas optaram por seguir sua rotina até que se abra um diálogo – diz a presidente do Conselho Municipal de Educação, Isabel Letícia Medeiros.
Docentes argumentam que ainda não sabem como aplicar mudanças estipuladas pela Secretaria Municipal de Educação. Eles questionam por quem os alunos serão acompanhados durante as refeições, já que nesse período eles não deverão mais estar sob a supervisão dos professores, e que profissionais ficarão responsáveis pelos estudantes durante a reunião pedagógica semanal, durante a qual eles deverão agora permanecer na escola, não mais sendo liberados.
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Além de cumprir os horários antigos, os professores da Escola José Loureiro da Silva, no bairro Cristal, estão levando o assunto para a sala de aula.
– Problematizamos os pontos negativos e positivos (das novas diretrizes) para fazer um debate – explica o professor de filosofia Rafael Alves Padilha.
Os alunos do 9º ano fizeram cartazes contrários às mudanças, classificando elas como desrespeitosas com alunos e professores.
A diretora, Silvana Moraes, é enfática ao considerar prejudiciais as novas diretrizes e queixa-se de falta de diálogo com os professores.
– Temos 500 alunos por turno. Não posso liberar todos os professores de meio-dia e ficar, entre três pessoas da diretoria, com todos os estudantes – diz.
Na Escola Municipal Gabriel Obino, no bairro Gloria, ocorreu uma assembleia no começo da manhã. Os pais concordaram com os professores e decidiram continuar com a rotina antiga da escola. A vice-diretora Thais Perle reitera que as mudanças exigidas não foram explicadas pela Secretaria de Educação.
– O governo largou a proposta, mas não disse como fazer – afirma.

A indefinição sobre quem ficaria com os alunos durante as refeições, uma vez que essa função seria tirada dos professores, é o que preocupa a dona de casa Estela da Luz, 31 anos.
– As crianças vão ficar junto dos adolescentes? Tenho uma filha na primeira série. Ela não sabe se defender – disse.
Na Escola Governador Ildo Meneghetti, a maior da rede municipal em Porto Alegre, localizada no bairro Rubem Berta, juntar todos os alunos nos refeitórios ao mesmo tempo para as refeições extrapolaria a capacidade dos refeitórios, de acordo com a diretora Angelita Porto e Silva. Ela explica que as crianças de cinco e seis anos almoçam antes, cada turma em um horário, a partir das 11h.
A técnica em nutrição da escola, Jaqueline de Oliveira, se mostra receosa com a determinação de as refeições não terão mais o acompanhamento de professores:
– Dá medo de não ter o professor no espaço e acontecer alguma coisa. O professor dá esse suporte e apoio.
Secretário diz que diretores podem resolver as questões particulares
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o secretário municipal de Educação, Adriano Naves de Brito, disse que os diretores dos colégios podem "resolver as questões particulares de cada escola".
– Como os problemas serão resolvidos é uma pergunta que temos de responder junto com cada diretor. Cada instituição tem uma realidade, portanto cada escola deve customizar as diretrizes num modo de organização próprio. A responsabilidade de fazer as adaptações é dos diretores. Nós estamos dispostos a colocar os meios necessários para fazer essas adaptações em favor dos alunos – afirmou.
Ouça a íntegra da entrevista com o secretário:

