
Este deve ser o último ano da vida escolar de Marcos Anderson da Silva Mano, 19 anos, no Colégio Emílio Massot, no bairro Azenha, na Capital. Embora esteja focado na preparação para garantir uma vaga na UFRGS – no curso de Matemática ou Sociologia –, o aluno do terceiro ano do Ensino Médio mantém no horizonte a vontade de melhorar as condições da instituição na qual estuda há 11 anos e que o motivou, em 2016, a participar da primeira ocupação estudantil de escola pública de Porto Alegre.
– É o meu último ano, e sou muito apegado à escola. Temos que fazer a nossa parte – conta o morador da Restinga que, nas férias, ajudou a pintar os banheiros e a sala dos professores com tintas doadas e a organizar o depósito de livros didáticos.
Entre as demandas apontadas pelos alunos em maio de 2016, que levaram à ocupação, estava o atraso no repasse da verba da autonomia financeira, falta de docentes e funcionários e parcelamento dos salários dos professores. Na época, o dinheiro foi depositado na conta da escola, os recursos humanos chegaram mas, novamente hoje a Emílio Massot enfrenta o atraso da verba da autonomia.
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Conforme a equipe diretiva, o mês de fevereiro foi pago, mas faltam repasses desde outubro de 2016. Com isso, a manutenção da escola que atende 1.050 estudantes dos ensinos Fundamental e Médio, EJA (Ensino Médio) e técnico em contabilidade fica prejudicada. Segundo a Seduc, os repasses não ocorreram no prazo devido a atraso na prestação de contas, que é feita pela própria escola. A secretaria também afirma que os atrasos correspondentes aos meses de outubro, novembro, dezembro e janeiro foram quitados em fevereiro.
Marcos se sente motivado a seguir envolvido com a escola: cita a necessidade de reforma na pracinha infantil, aponta o muro que está caindo, planeja atividades envolvendo a comunidade. Em 2016, foi presidente do grêmio estudantil e pretende candidatar-se novamente. No futuro, sonha em lecionar na Emílio Massot.
O colega Douglas da Silva Silveira, 17 anos, complementa:
– Vou focar nos estudos para entrar em uma universidade pública. Houve um tempo em que eu perdi a esperança (de melhoria na educação). Mas aprendi muita coisa no ano passado, mudou meu jeito de pensar.



