
Tensão é a palavra que define a reunião desta terça-feira entre o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan, e representantes dos rodoviários, na qual o chefe do Executivo ouviu as demandas do presidente do sindicato da categoria, Adair da Silva. As informações são da Rádio Gaúcha.
No encontro, que durou cerca de 40 minutos, a pauta do reajuste dos trabalhadores, que tem data-base em 1º de fevereiro, foi apresentada.
– Não queremos trazer prejuízos à população, mas hoje (terça-feira) esgota nossa negociação – alertou Silva.
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A reivindicação que mais agitou os ânimos da reunião foi a manutenção do cargo de cobrador. Para o prefeito, a função não deve mais existir no futuro.
– Não estamos falando de demissão, mas de realidade. Essa, como outras profissões, vai deixar de existir com o avanço da tecnologia – observou.
Sobre a negociação salarial da classe, Marchezan reiterou que a mesa de acordo não é na prefeitura, mas com a patronal.
– Eu não vou entrar nessa negociação. Estou no primeiro mês de governo e não tenho como saber se as empresas têm condições de pagar mais ou em apenas uma parcela – ponderou, lembrando que, de um lado, existe o trabalhador que busca aumento e, de outro, o usuário que não pode pagar mais pela passagem de ônibus.
Sem o apoio do chefe do executivo, os integrantes do Sindicato dos Rodoviários deixou o encontro sem mesmo finalizar a conversa.
– Fomos falar com o prefeito porque estamos tentando reduzir os conflitos. Mas não podemos aceitar uma opinião que possa prejudicar os mais de 3,6 mil colegas cobradores – defendeu Silva.
Valor da passagem
De acordo com o cálculo prévio apresentado pela Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP), em reunião na última sexta-feira no Paço Municipal, a tarifa técnica seria de R$ 4,30.
Já Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) fez três projeções. O primeiro cenário calculado é sem reajuste dos rodoviários: a passagem ficaria em R$ 3,95, frente aos atuais R$ 3,75. Caso haja reajuste de 5,15% parcelado em duas vezes (fevereiro e agosto), o valor subiria para R$ 4. E, com reajuste de 5,15% pago de forma integral em fevereiro, o valor seria R$ 4,05.
A EPTC afirma que o o dissídio dos rodoviários foi estimado em 5,15% baseado na projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de fevereiro de 2016 a janeiro de 2017.



