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Mesmo em um dia de movimento anormal em Porto Alegre - com trânsito tranquilo, devido ao final de ano -, o catamarã foi mais rápido do que carro e ônibus no trajeto entre o Centro Histórico e a Zona Sul, na manhã desta segunda-feira. O teste foi realizado simultaneamente por Zero Hora com os três meios de transporte, cinco dias depois da inauguração da nova rota do catamarã, que chegou a ficar ameaçada devido a um impasse entre a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs).
A embarcação chegou 37 segundos antes do carro e quase sete minutos à frente do ônibus na estação do catamarã perto do BarraShoppingSul. A perspectiva é de que esses tempos aumentem muito quando o trânsito voltar a lotar de veículos com o fim das férias de verão, conforme o professor da UFRGS e doutor em Sistemas de Transportes e Logística João Fortini Albano.
- O catamarã não tem nenhum obstáculo, nenhuma interferência, ele mantém a velocidade constante. E hoje é uma grande vantagem ter tempo de deslocamento menor. O tempo é um dos maiores valores da vida moderna - analisa.
Albano saúda a existência de um modal alternativo na Capital, o catamarã, que, apesar de não ser um transporte de massa como o ônibus, ajuda a desafogar o trânsito. Para ele, Porto Alegre perdeu muito tempo sem investir na hidrovia.
- É importantíssimo ter esses modais alternativos, catamarã, bicicleta. O catamarã chegou atrasado, já tinha que existir para a Zona Sul e para as ilhas - reforça.
O diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, disse que os técnicos do órgão já haviam feito diversas medições que comprovavam a agilidade do catamarã. Além de a embarcação conseguir manter uma velocidade constante, o trajeto é praticamente em linha reta, o que é uma grande vantagem para o transporte hidroviário.
A linha mais recente do catamarã é esta que liga o Centro ao BarraShoppingSul, no bairro Cristal. Desde 2011, a empresa CatSul opera a ligação entre o centro de Porto Alegre e Guaíba.
Segundo Cappellari, há várias ideias de novas linhas hidroviárias para Porto Alegre e a Região Metropolitana - Parque Gigante, Ipanema, Assunção, Belém Novo e Itapuã são algumas delas. No entanto, há obstáculos para o desenvolvimento rápido de uma malha de transporte pelo Guaíba. Um deles é a falta de calado para os barcos em alguns pontos da orla - no Lami, por exemplo.
Outro obstáculo é o alto custo do transporte, cuja passagem é quase o dobro da tarifa de ônibus. Um catamarã custa por volta de R$ 4 milhões, e o gasto com combustível é alto. Um trajeto do Centro para Belém Novo, por exemplo, custaria, para os passageiros, entre R$ 16 e R$ 20 - a tarifa de ônibus é pelo menos 5,4 vezes menor (R$ 2,95).
Como foi o teste
Catamarã
Repórter André Mags utilizou o catamarã para ir do Centro ao bairro Cristal
Foto: Ronaldo Bernardi

Saída do Cais Mauá: 7h47min
Chegada na estação do BarraShoppingSul: 7h58min
Tempo de viagem: 11 minutos e 23 segundos
Custo da passagem: R$ 5
Prós: rapidez, conforto
Contras: preço, limitação de paradas, horários com intervalos espaçados, acesso mais distante (porto)
Carro
Repórter Jaqueline Sordi fez o caminho do Centro à Zona Sul de carro
Foto: Fernando Gomes

Saída da prefeitura: 7h45min
Chegada no píer do Cristal: 7h57min
Tempo de viagem: 12 minutos
Custo de gasolina para o trajeto de 8,7 km: R$ 2,56
Prós: comodidade, não precisar aguardar o veículo chegar, sem trânsito
Contras: dificuldade de estacionar no local de saída e de chegada
Ônibus
Repórter Débora Ely embarcou no ônibus da linha Assunção
Foto: Fernando Gomes

Linha 188 (Assunção), STS, saída do Terminal Uruguai: 7h37min
Chegada à parada de ônibus na Avenida Chuí (ao lado do BarraShoppingSul): 7h55min
Tempo de viagem: 18 minutos e 18 segundos
Custo da passagem: R$ 2,95
Prós: a passagem custa quase a metade do valor do catamarã, horários mais frequentes, acesso mais fácil
Contras: deslocamento mais lento por causa do arranca e para, lotação dos veículos



