
Documentos da Polícia Federal (PF) indicam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro descobriu que seria alvo da Operação Compliance Zero, que resultou na sua prisão em novembro do último ano, antes de a ação ser deflagrada. Estes são os primeiros detalhes que surgem após a retirada do sigilo do caso Master na noite de quinta-feira (10).
A pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o ministro André Mendonça derrubou o sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master que tramitam na Corte. Conforme a Polícia Federal, no bloco de notas do celular de Vorcaro, foram encontradas anotações com os nomes de policiais federais que participaram de uma reunião com o Banco Central. As informações são do g1 e da CNN Brasil.
Outro dado que reforça que Vorcaro sabia sobre a operação é uma nota, dois dias antes de ser preso, em que o ex-banqueiro pergunta sobre a proximidade de um terceiro com o juiz federal Ricardo Soares Leite, que já havia autorizado medidas contra ele.
No dia que antecedeu a operação, 16 de novembro de 2025, Vorcaro recebeu mensagens de Walfrido Warde, o seu advogado, às 7h28min, cujos detalhes não foram revelados. Às 8h48min, el respondeu afirmando que agendaria um voo com partida de Congonhas, em São Paulo. Na noite do mesmo dia, Vorcaro foi interceptado pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, quando embarcava em um jatinho particular com destino aos Emirados Árabes.
Para a PF, as anotações reforçam a tentativa de fuga de Vorcaro, "sendo improvável que sua viagem ao Exterior, na noite imediatamente anterior à data do cumprimento dos mandados, seja mera coincidência".
Medidas para contornar a crise na Corte
O pedido de derrubada do sigilo, bem como o cancelamento das sessões, fazem parte de um série de medidas para tentar contornar a crise no tribunal. Entre elas, o magistrado suspendeu as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Além disso, o presidente do STF também retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News, que, segundo Fachin, perdeu o seu propósito e já deveria ter sido encerrado. Fachin também suspendeu a apuração da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre possível interferência na produção do relatório da PF que apontou conversas de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, com Moraes.



