
O Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou, nesta segunda-feira (14), o rito da sessão em plenário agendada para terça-feira (15) para analisar a ligação do ministro Alexandre de Moraes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A sessão extraordinária foi agendada após o ministro André Mendonça, relator do caso, produzir material com informações reunidas pela Polícia Federal.
De acordo com a definição, a sessão terá início às 10h. Após a abertura dos trabalhos, será feita a leitura e a aprovação da ata da sessão anterior, seguida da saudação aos ministros. Na sequência, será realizado o pregão do processo. O relator fará a leitura do relatório e a delimitação do objeto do julgamento.
Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestará. Encerradas as manifestações, o relator apresentará seu voto. Em seguida, votarão os demais ministros, na ordem regimental.
O que liga Moraes a Vorcaro
A imprensa descobriu que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, possuía um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master. Moraes teria discutido a venda do Master ao BRB com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Ambos confirmaram o encontro, mas negaram terem conversado sobre o tema. Metadados extraídos do celular de Vorcaro indicam que o ministro editou uma versão do contrato.
Além disso, de acordo com a investigação da PF, Vorcaro e Moraes trocaram mensagens pelo WhatsApp durante todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que o dono do Banco Master foi preso pela Polícia Federal, segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
No dia 1º de setembro, o ministro do STF e relator do caso Master, André Mendonça, derrubou o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens trocadas entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes.
Em um diálogo, o banqueiro teria perguntado ao ministro: "Acha que segunda já tenho que estar fora?".
O trecho teria sido enviado, conforme relatório da PF, em 15 de novembro de 2025, um sábado. Na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.
Ministros sob suspeita e crise estabelecida: entenda o contexto do julgamento
A sessão desta terça-feira (15) ocorre em meio a uma crise institucional sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros analisam, em plenário, o relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mais de 50 mensagens enviadas pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Alexandre de Moraes, que integra a Corte.
O relatório que aponta a ligação entre Moraes e Vorcaro foi elaborado por determinação do ministro André Mendonça. A polícia indica que Vorcaro se encontrou oito vezes com Moraes e pediu ajuda para conter ações contra o banco. O documento também cita a atuação do ministro na análise de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Presidida pelo ministro Edson Fachin, a sessão extraordinária desta terça é considerada inédita porque envolve a discussão sobre um relatório da PF que tem como suspeito um membro do Supremo. A crise entre ministros envolve as investigações sobre a fraude bilionária do Banco Master, que se tornou pública no final do ano passado, com a liquidação da instituição financeira e com a prisão do então dono Daniel Vorcaro.
O primeiro nome de ministro a aparecer em suposto envolvimento com Vorcaro é o de Dias Toffoli, sorteado para ser relator do caso. Por isso, em fevereiro de 2026, Toffoli deixa a relatoria após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregar a Fachin um documento listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli. As investigações apontam para negócios envolvendo o resort Tayayá, no Paraná, que tinha participação de empresas ligadas à família de Toffoli.
Depois disso, o ministro André Mendonça assume a relatoria. O nome de outro magistrado da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, também passa a protagonizar o enredo do Master. Metadados extraídos do celular de Vorcaro indicam que Moraes teria editado uma versão do contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o banqueiro e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
No dia 1º de setembro deste ano, Mendonça então derruba o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens trocadas entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Em uma troca de mensagens, o banqueiro teria perguntado ao ministro: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". O trecho teria sido enviado, conforme a PF, em 15 de novembro de 2025, um sábado. Na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.
Em uma escalada da crise entre os ministros, em 3 de setembro, dois dias após seu nome aparecer no relatório, Moraes solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, investigação contra André Mendonça na condução dos inquéritos sobre o Banco Master e fraude no INSS. Na decisão proferida no inquérito das fake news, Moraes afirma que há indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça.
Na tentativa de intervir e amenizar os ânimos, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determina que o pedido de investigação de Mendonça feito por Moraes seja retirado do inquérito das fake news. Fachin abre um procedimento, sob sua relatoria, para apurar supostas irregularidades em investigações da PF que envolvem autoridades com foro na Corte.
O presidente também assume para si a relatoria de outras ações, como a que trata de conversas entre Moraes e Vorcaro. Além disso, Fachin determina que a sessão desta terça-feira trate apenas do caso envolvendo Moraes e marca para 23 de setembro a análise dos questionamentos sobre a atuação de Mendonça.



