
Produtora de Dark Horse, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, a Go Up Entertainment pagou pelo menos quatro faturas de cartão de crédito do deputado federal Mario Frias (PL-SP). Os registros de pagamentos constam nos documentos anexados pela Polícia Federal no inquérito que apura irregularidades na produção do longa, segundo o g1.
Na noite de sexta-feira (11), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirou o sigilo sobre as investigações relacionadas ao caso.
Os pagamentos ocorreram entre agosto e novembro de 2025, durante a produção do filme. Os valores variam entre R$ 32,6 mil e R$ 36,8 mil. Frias assina a produção como roteirista e produtor-executivo.
Secretário Especial da Cultura durante o governo Jair Bolsonaro, o deputado federal foi alvo de operação deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (10) para apurar supostos esquema de desvios de recursos públicos e emendas parlamentares na produção do filme. Karina Gama, dona da Go Up, também foi alvo da ação.
Até o momento, Mario Frias não se manifestou sobre a situação.
Investigação
O longa se tornou alvo de suspeitas em maio, após virem à tona conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), envolvendo pagamentos para viabilizar a produção cinematográfica.
Dark Horse teve mais de 90% de seu orçamento bancado com recursos de Vorcaro. O financiamento secreto foi tratado com Flávio mesmo depois da prisão do banqueiro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal em um dos celulares do empresário.
"Cortina de fumaça", disse o deputado
Ainda na quinta-feira, dia da operação, Maria Frias se pronunciou nas redes sociais e classificou a investigação da PF como uma "cortina de fumaça".
— A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões que eu destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens e adolescentes a se desenvolverem intelectualmente. Emenda pública, registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no portal da transparência — disse.
— Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça — completou.



