
Transferências de R$ 645,4 mil feitas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) e de outros R$ 750 mil pela NTT Brasil à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, foram identificadas pela Polícia Federal (PF), segundo o g1. Os repasses totalizam R$ 1,4 milhão.
As informações constam na decisão em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou buscas realizadas pela PF na manhã desta quinta-feira (10).
As investigações apontam suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o relatório, Frias fez as transferências em menos de dois meses no fim de 2025. De acordo com o apurado pela PF, chama a atenção o volume dos valores, e que os rendimentos mensais dele, de R$ 44.008,52, colocam "em questão o lastro financeiro" para repasses em intervalo inferior a 60 dias.
Em publicação no Instagram no fim da tarde desta quinta, Frias afirmou que as emendas que destinou estão registradas de modo "transparente".
— A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões que eu destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens e adolescentes a se desenvolverem intelectualmente. Emenda pública, registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no portal da transparência — argumentou.
A NTT Brasil, apontada como responsável pelo repasse de R$ 750 mil, está ligada, de acordo com a investigação, a um grupo empresarial que inclui fornecedores contratados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), que é presidido por Karina Gama, dona da Go Up.
Na decisão desta quinta, o ministro Flávio Dino também proibiu Mario Frias de deixar o país e manter contato com outros investigados.
A operação
No âmbito da Make Up, ação da Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), foram cumpridos 49 mandados. Além de Frias e Karina, são alvo da investigação ex-assessores parlamentares e pessoas contratadas para supostas prestações de serviços pelo instituto da produtora. Um deles é Raphael Augusto Azevedo, que foi chefe de gabinete do parlamentar.
A apuração identificou indícios de elaboração posterior e retrodatação de contratos, orçamentos e notas fiscais, para conferir aparência de legalidade às operações com emendas perante a CGU. Os investigadores apontam ainda a existência de um fluxo financeiro circular entre o parlamentar, as entidades, as empresas contratadas e a Go Up Entertainment. As movimentações somaram R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
Em agosto, o ministro Dino autorizou o compartilhamento, com a Polícia Federal, de dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo na Operação Wi-Fi, que teve Karina como um dos alvos. A investigação apura suspeitas de fraude, desvios em contratos e aditivos firmados entre a prefeitura de São Paulo e o ICB.
Investigações no STF
Há dois inquéritos em curso na Corte envolvendo a produção de Dark Horse. O da operação atual é relatado por Dino e investiga suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares por empresas e entidades ligadas à produtora do longa.
O segundo é supervisionado por Mendonça e apura os repasses do dono do Banco Master a Flávio e o caminho do dinheiro.


