
Será uma sessão histórica. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidirão se, pela primeira vez na história, um colega da Corte será alvo de investigação. E será uma sessão extraordinária — que ainda tem rito incerto, clima de guerra e grande chance de obstrução.
O encontro, marcado para começar às 10h de terça-feira (15), vai analisar o processo que trata das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, do banco Master, a Alexandre de Moraes. Nelas, há indícios de que o ex-banqueiro era orientado pelo ministro em diversas vezes, inclusive às vésperas da prisão.
Os dias anteriores à sessão têm sido marcados por uma estratégia clara: pedidos de acesso ao conteúdo do celular de Vorcaro e também mais quebras de sigilo. Trata-se do grupo de ministros ligados a Moraes que segue fazendo uma ofensiva às vésperas do julgamento.
O movimento mais recente partiu de Gilmar Mendes. Ele pediu diretamente à Polícia Federal (PF) uma cópia completa dos dados do celular de Vorcaro.
Gilmar diz que, sem acesso à íntegra, não é possível saber se houve omissões ou contradições. Nem avaliar o contexto das mensagens selecionadas pela investigação.
Já Cristiano Zanin argumentou que André Mendonça teve acesso ao material completo e que os demais ministros deveriam receber as mesmas informações.
Moraes, por sua vez, pediu mais uma quebra de sigilo, agora sobre uma petição. E o presidente do STF, Edson Fachin, encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.
Em meio à crise, André Mendonça reagiu. Disse que a inclusão de novas informações, no caso do celular de Vorcaro, às vésperas da sessão pode servir para tumultuar o julgamento e desviar o processo do seu curso.
"Bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações, dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural", completou.
Os dados do celular
Os dados do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025, se tornaram um capítulo específico do embate no Supremo. Segundo a PF, o arquivo original permanece integralmente nas dependências da instituição, com a cadeia de custódia formalmente documentada, os lacres íntegros e mecanismos de verificação da integridade digital.
A corporação afirmou que o conteúdo "jamais deixou a custódia da instituição".
A PF afirmou ainda que a cópia enviada ao gabinete de Mendonça, em março último, não corresponde ao arquivo original. Segundo o órgão, o envio ocorreu "mediante solicitação do próprio gabinete".


