
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça respondeu ao presidente da Corte, Edson Fachin, e negou irregularidades na condução da apuração que identificou Alexandre de Moraes como interlocutor de diálogos com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em ofício enviado na noite de segunda-feira (14), Mendonça afirmou que a determinação para que a Polícia Federal identificasse as pessoas mencionadas no documento ocorreu no âmbito da supervisão judicial da investigação, com o objetivo de preservar o sigilo e a eficiência das apurações.
O ministro negou que tenha realizado uma investigação contra Moraes e disse que apenas solicitou aos delegados responsáveis informações atualizadas sobre a identificação de integrantes de uma suposta rede de influência e monitoramento mantida por Vorcaro.
O relatório da PF, produzido a pedido de Mendonça e tornado público no início de setembro, reúne 52 mensagens em 13 diálogos entre Vorcaro e Moraes, parte delas trocadas às vésperas da prisão do banqueiro, em novembro do ano passado.
Segundo Mendonça, as conversas indicavam que Vorcaro poderia buscar intervenção junto a autoridades públicas. Por isso, ele pediu aos delegados informações atualizadas sobre o estágio das apurações.
O plenário do STF analisa o caso nesta terça-feira (15), em sessão extraordinária, e deve avaliar o relatório da PF e a possibilidade de abertura de investigação envolvendo Moraes.
Moraes nega irregularidades e acusa Mendonça de investigação ilegal
Ainda na noite de segunda-feira, também em manifestação enviada a Edson Fachin, Alexandre de Moraes negou irregularidades e afirmou que o relatório da PF apresentado por André Mendonça é ilegal. O ministro pediu a nulidade do pedido de investigação e disse não haver indícios de infração penal, além de classificar a apuração como uma suposta vingança com motivação político-eleitoral.
Moraes também negou ter favorecido Daniel Vorcaro e afirmou que o relatório não contém mensagens de sua autoria, mas textos encontrados no celular do banqueiro. Segundo ele, a prisão de Vorcaro demonstra que não houve vazamento prévio de informações sobre a Operação Compliance Zero.