
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, nesta sexta-feira (11), que a divulgação da íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro poderia comprometer a investigação da Polícia Federal (PF). As informações são do jornal O Globo.
Em resposta a um ofício do ministro Cristiano Zanin, Mendonça sustentou que não teve acesso à totalidade do conteúdo e que dispõe das mesmas informações disponibilizadas aos demais integrantes da Corte para o julgamento marcado para a próxima terça-feira (15).
O magistrado também esclareceu que o aparelho celular solicitado não está em seu gabinete. Segundo ele, a PF entregou apenas uma cópia de segurança dos dados, armazenada em um HD dentro de um envelope lacrado, que nunca foi manuseado pelo relator. O material original permanece sob custódia da corporação.
Ainda segundo O Globo, Mendonça afirmou que as informações encaminhadas ao STF foram selecionadas pelos investigadores responsáveis pelos procedimentos, no exercício da autonomia da Polícia Federal. O ministro disse também não ter acesso a elementos que não tenham sido formalmente incorporados aos processos e, por isso, rejeitou a alegação de que haveria desigualdade de informações entre os integrantes da Corte.
Crise no STF | 11/09/2026
Mendonça sustentou ainda que a entrega da totalidade do material apreendido neste momento poderia comprometer as investigações, diante da possibilidade de novas fases operacionais a partir de pedidos da PF ou do Ministério Público.
"Enfatizo que disponibilizar a totalidade do material, neste momento, com investigações em curso e com a perspectiva de novas fases operacionais, a serem deflagradas a partir das representações que venham a ser formuladas pela autoridade policial e/ou pelo Ministério Público, resultaria na violação do dever estatal de investigar as condutas penalmente relevantes", diz.
Pedido de Zanin
Segundo o g1, Zanin encaminhou um novo ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, no fim da tarde desta sexta-feira (11), reiterando o pedido de acesso integral ao conteúdo do celular apreendido de Vorcaro.
A solicitação ocorreu após Mendonça afirmar que atendeu à determinação de Fachin e tornou públicos todos os documentos relacionados ao Banco Master. O ministro também negou ter promovido uma retirada seletiva de sigilo no caso, como havia alegado o Alexandre de Moraes.
Zanin contestou os argumentos de Mendonça e sustentou que o fato de o material ter sido entregue em envelope lacrado pela PF não afasta a obrigação de compartilhamento com os demais ministros do tribunal.
"A mídia solicitada encontra-se no gabinete de Sua Excelência e deve ser compartilhada com os demais julgadores para que todos tenham a mesma oportunidade de análise dos elementos relacionados ao aludido processo", escreveu Zanin.
Banco Master
PGR pediu liberação total do sigilo
Assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, a PGR pediu liberação total do sigilo sob argumento que a medida busca evitar uma possível "ideia equivocada de transparência", já que, na avaliação do órgão, a relação de documentos disponibilizada anteriormente não incluía parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero.
"O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contém grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero", diz um trecho do documento.
O pedido foi apresentado nesta sexta após o ministro Alexandre de Moraes encaminhar a Fachin um ofício no qual defendeu a retirada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos do caso.
Moraes também questionou a forma como Mendonça retirou o sigilo dos documentos na noite de quinta-feira (10), após determinação de Fachin. Segundo o ministro, apenas 15 documentos foram liberados, enquanto outras 180 peças ficaram de fora.
Moraes ainda pediu que o plenário do STF analise conjuntamente as suspeitas relacionadas à atuação dele e à de Mendonça na sessão extraordinária marcada para terça-feira (15). No despacho, afirmou que Fachin já teria reconhecido a conexão entre os procedimentos.
Caso Master: o que aconteceu nesta sexta após novas revelações da PF
A manhã desta sexta-feira (11) foi marcada por novos desdobramentos do caso Banco Master após a divulgação de documentos da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Os relatórios indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro soube antecipadamente da operação e apontam que dois ex-servidores do Banco Central teriam atuado como consultores do empresário mediante pagamento.
Também veio a público a investigação do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Além disso, há informações de que o candidato à Presidência pelo PL teria se encontrado com Vorcaro antes de cobrar a verba para o longa. Flávio defendeu o fim do sigilo e disse que "quer transparência em tudo".
Outro relatório enviado ao STF aponta suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli e um fundo que recebeu R$ 35 milhões ligados a Vorcaro.
Além disso, foram divulgados dois contratos do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master, incluindo um acordo de R$ 131 milhões para "consultoria estratégica". No mesmo contexto, Eduardo Bolsonaro foi citado pela PGR por orientar a gestão de recursos do filme nos Estados Unidos.























