
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, nesta sexta-feira (11), que atendeu ao pedido de Edson Fachin e tornou público todos os documentos relacionados ao Banco Master. Ele negou, ainda, ter feito retirada seletiva do sigilo do caso — como afirmou o magistrado Alexandre de Moraes.
Mendonça disse que a manutenção de processos em sigilo ocorreu "a partir de uma análise prudente e responsável, considerando a existência de investigações em andamento e a necessidade de zelar pela preservação de dados pessoais das pessoas investigadas".
Crise no STF | 11/09/2026
Segundo o ministro, isso incluiria aqueles documentos contidos em procedimentos destinados à quebra de sigilo de dados bancários e fiscais, por exemplo, e que, por isso, "jamais se poderia publicizar a 'totalidade dos procedimentos contidos ou relacionados'" à investigação original.
Dados do celular de Vorcaro
Mendonça também afirmou que mantém em seu gabinete uma "cópia de segurança" dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Segundo o ministro, o material foi entregue voluntariamente pela Polícia Federal, em março, em um HD criptografado dentro de um envelope lacrado, que permanece "intocado até o presente momento". As informações são do jornal O Globo.
A informação foi prestada ao presidente do STF, Edson Fachin, após Cristiano Zanin solicitar acesso à íntegra dos dados do celular de Vorcaro para analisar, na próxima terça-feira (15), o relatório da PF que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro em mensagens.
No documento encaminhado a Fachin, Mendonça esclareceu que o aparelho físico "não está à disposição" de seu gabinete. O ministro afirmou que, em fevereiro, logo após assumir o caso, determinou que o celular fosse mantido sob custódia nos depósitos da Polícia Federal, conforme o fluxo ordinário da corporação.
Ao pedir a Fachin acesso à íntegra dos dados extraídos de um iPhone 17 Pro apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, Zanin avaliou que o conteúdo deve ser compartilhado, pois está abrangido pela decisão que derrubou o sigilo de procedimentos relacionados à petição que será analisada na próxima terça-feira pelo plenário do STF.
Colunistas de GZH opinam sobre caso Banco Master
Segundo o g1, Zanin encaminhou um novo ofício ao presidente da Corte, no fim da tarde desta sexta, insistindo no pedido de acesso integral ao conteúdo do celular apreendido de Vorcaro. Ele contestou os argumentos de Mendonça e sustentou que o fato de o material ter sido entregue em envelope lacrado pela PF não afasta a obrigação de compartilhamento com os demais ministros do tribunal.
"A mídia solicitada encontra-se no gabinete de Sua Excelência e deve ser compartilhada com os demais julgadores para que todos tenham a mesma oportunidade de análise dos elementos relacionados ao aludido processo", escreveu Zanin.
PGR pediu liberação total do sigilo
Assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, a PGR pediu liberação total do sigilo sob argumento que a medida busca evitar uma possível "ideia equivocada de transparência", já que, na avaliação do órgão, a relação de documentos disponibilizada anteriormente não incluía parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero.
"O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contém grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero", diz um trecho do documento.
O pedido foi apresentado nesta sexta após o ministro Alexandre de Moraes encaminhar a Fachin um ofício no qual defendeu a retirada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos do caso.
Moraes também questionou a forma como Mendonça retirou o sigilo dos documentos na noite de quinta-feira (10), após determinação de Fachin. Segundo o ministro, apenas 15 documentos foram liberados, enquanto outras 180 peças ficaram de fora.
Moraes ainda pediu que o plenário do STF analise conjuntamente as suspeitas relacionadas à atuação dele e à de Mendonça na sessão extraordinária marcada para terça-feira (15). No despacho, afirmou que Fachin já teria reconhecido a conexão entre os procedimentos.
Banco Master
Caso Master: o que aconteceu nesta sexta após novas revelações da PF
A manhã desta sexta-feira (11) foi marcada por novos desdobramentos do caso Banco Master após a divulgação de documentos da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Os relatórios indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro soube antecipadamente da operação e apontam que dois ex-servidores do Banco Central teriam atuado como consultores do empresário mediante pagamento.
Também veio a público a investigação do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Além disso, há informações de que o candidato à Presidência pelo PL teria se encontrado com Vorcaro antes de cobrar a verba para o longa. Flávio defendeu o fim do sigilo e disse que "quer transparência em tudo".
Outro relatório enviado ao STF aponta suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli e um fundo que recebeu R$ 35 milhões ligados a Vorcaro.
Além disso, foram divulgados dois contratos do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master, incluindo um acordo de R$ 131 milhões para "consultoria estratégica". No mesmo contexto, Eduardo Bolsonaro foi citado pela PGR por orientar a gestão de recursos do filme nos Estados Unidos.






























