
André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou, nesta sexta-feira (11), sigilo de casos derivados do inquérito do Banco Master. Entre eles, a investigação do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no contexto do financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Processos envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL-RJ), o ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro Ciro Nogueira (PP-PI), o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, e Thiago Miranda, publicitário ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, também tiveram sigilo retirado. Segundo o STF, a publicidade desses materiais pode demorar algumas horas devido à quantidade de documentos.
"Anoto, inicialmente, que referidos processos não guardam relação com o objeto da pauta da sessão extraordinária a realizar-se na próxima terça-feira. De todo o modo, entendo não haver impedimento ao levantamento dos correspondentes sigilos", afirmou Mendonça ao retirar sigilo de mais 39 processos envolvendo o Banco Master a pedido da da Procuradoria-Geral da República.
A PGR argumentou que liberar apenas parte do inquérito — referindo-se aos documentos liberados na manhã desta sexta envolvendo a Operação Compliance Zero — poderia "induzir à ideia equivocada de transparência".
A procuradoria afirmou, ainda, que a lista de documentos enviada por Mendonça omitiu a maior parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Polícia Federal.
Crise no STF
O que aconteceu nesta sexta após novas revelações da PF
A manhã de sexta-feira (11) foi marcada por novos desdobramentos do caso Master após a divulgação de documentos da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Os relatórios indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro soube antecipadamente da operação e apontam que dois ex-servidores do Banco Central teriam atuado como consultores do empresário mediante pagamento.
Também veio a público a investigação do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro no inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Além disso, há informações de que o candidato à Presidência pelo PL teria se encontrado com Vorcaro antes de cobrar a verba para o longa. Flávio defendeu o fim do sigilo e disse que "quer transparência em tudo".
Colunistas de GZH opinam sobre caso Banco Master
Outro relatório enviado ao STF aponta suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli e um fundo que recebeu R$ 35 milhões ligados a Vorcaro.
Além disso, foram divulgados dois contratos do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master, incluindo um acordo de R$ 131 milhões para "consultoria estratégica". No mesmo contexto, Eduardo Bolsonaro foi citado pela PGR por orientar a gestão de recursos do filme nos Estados Unidos.
Ao longo do dia, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, negou a existência de "monitoramento ilícito" de ministros do STF e contestou o afastamento determinado por André Mendonça, posteriormente revogado por Edson Fachin. Mendonça defendeu sua atuação, afirmou manter uma cópia dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e disse ter divulgado todo o material disponível. Em reação, Alexandre de Moraes acusou o colega de divulgar documentos de forma seletiva para proteger um “grupo político”.
Já o decano do STF Gilmar Mendes pediu que Fachin assuma a análise do caso e adie o julgamento previsto para terça-feira (15).
À noite, Mendonça atendeu ao pedido da PGR e derrubou o sigilo de investigações derivadas do Banco Master, incluindo a investigação do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no contexto do financiamento do filme "Dark Horse", além de apurações envolvendo Cláudio Castro (PL-RJ), o ex-ministro Ciro Nogueira (PP-PI) e o senador Jaques Wagner (PT-BA) também tiveram sigilo retirado.
























