
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) se pronunciou, nesta quinta-feira (10), após se tornar alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar o financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A PF apura se houve o desvio de emendas parlamentares. O deputado afirmou que sua defesa pede acesso ao inquérito da PF "há meses" e chamou a ação da PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) de "cortina de fumaça".
— Ela (a emenda) vai do Tesouro para o órgão executor, que aprova um plano de trabalho previamente e fiscaliza a prestação de contas. Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça — disse.
Emenda "pública, registrada, transparente"
Mario Frias afirmou que a emenda parlamentar que destinou em 2024 para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment Ltd, produtora do Dark Horse, é "pública, registrada e transparente".
A investigação da PF se debruçou sobre contratos celebrados pelo ICB e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), também presidida por Karina, com empresas ligadas a doadores de campanha de Frias, ex-assessores parlamentares e ao advogado do deputado. Segundo os investigadores, há suspeitas de que parte desses contratos tenha sido simulada ou fraudulenta.
— A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões que eu destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens e adolescentes a se desenvolverem intelectualmente. Emenda pública, registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no portal da transparência — afirmou Frias.
Por fim, Frias afirmou que escolheu entrar na política para apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e declarou apoio ao seu filho, Flávio, senador e candidato à Presidência da República. O deputado ressaltou que vai contribuir com as investigações:
—Escolhi vir para a política porque eu não aceitei ver o presidente Bolsonaro apanhar sozinho e o que aconteceu com ele, narrativa atrás de narrativa, uma a uma caindo, está acontecendo comigo. Há um mês da eleição, vou colaborar com tudo que for pedido. Vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda, representando São Paulo e apoiando o meu presidente Flávio Bolsonaro.
A operação da PF
No âmbito da Make Up, ação da Polícia Federal em conjunto com a CGU, foram cumpridos 49 mandados. Além de Frias e Karina, são alvo da investigação ex-assessores parlamentares e pessoas contratadas para supostas prestações de serviços pelo instituto da produtora. Um deles é Raphael Augusto Azevedo, que foi chefe de gabinete do parlamentar.
Frias, Karina e os outros investigados estão proibidos de deixar o Brasil, conforme decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado é responsável pelo caso na Corte e autorizou a operação da PF. Os alvos também estão proibidos de falar entre si.
A apuração identificou indícios de elaboração posterior e retrodatação de contratos, orçamentos e notas fiscais, para conferir aparência de legalidade às operações com emendas perante a CGU. Os investigadores apontam ainda a existência de um fluxo financeiro circular entre o parlamentar, as entidades, as empresas contratadas e a Go Up Entertainment. As movimentações somaram R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
Em agosto, o ministro Dino autorizou o compartilhamento, com a Polícia Federal, de dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo na Operação Wi-Fi, que teve Karina como um dos alvos. A investigação apura suspeitas de fraude, desvios em contratos e aditivos firmados entre a prefeitura de São Paulo e o ICB.
Investigações no STF
Há dois inquéritos em curso na Corte envolvendo a produção de Dark Horse. O da operação atual é relatado por Dino e investiga suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares por empresas e entidades ligadas à produtora do longa.
O segundo é supervisionado por Mendonça e apura os repasses do dono do Banco Master a Flávio e o caminho do dinheiro.
