
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (11) que considera "positivo" o fim do sigilo do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga o financiamento do filme Dark Horse.
Segundo Flávio, a abertura dos dados deve confirmar que não houve irregularidades na produção e que os pagamentos se tratam de uma "relação privada".
— Eu quero transparência em tudo, porque vou só confirmar o que eu sempre falei, que não tem justamente nada de errado com relação ao filme, diferente de relações de muita gente do atual governo que tentaram de alguma forma beneficiar o Banco Master — afirmou.
A declaração foi dada pelo presidenciável nesta sexta-feira (11), durante entrevista coletiva após visita a uma fábrica de motocicletas em Manaus. As informações são do g1.
Flávio é investigado no inquérito desde julho, por determinação do ministro André Mendonça, do STF. Segundo a investigação, a Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme. O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, também é investigado.
Flávio teria se encontrado com Vorcaro antes de cobrar verba para o filme
Ainda nesta sexta-feira, um relatório divulgado pela PF apontou que Flávio Bolsonaro teria se encontrado com Daniel Vorcaro antes de cobrar verba para o filme sobre Jair Bolsonaro. A informação foi publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Segundo o documento, o encontro teria ocorrido em agosto de 2025, pouco mais de duas semanas antes de o senador cobrar o empresário sobre os pagamentos previstos para a produção do longa.
Ainda conforme a PF, dados extraídos do celular de Vorcaro mostram que o banqueiro enviou a Flávio uma mensagem com um horário para um "provável encontro presencial entre ambos". Na sequência, o senador respondeu: "a caminho".
Duas investigações sobre o financiamento de Dark Horse
O financiamento de Dark Horse é investigado em dois inquéritos diferentes no STF. No caso relatado por Mendonça, a apuração está relacionada aos recursos repassados por Daniel Vorcaro para a produção do filme.
Nesta semana, Mendonça homologou a delação premiada do operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, que, segundo a investigação, foi usada para repasses de dinheiro entre Vorcaro e a produção do filme.
Segundo informações da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, ele confirmou à PGR ter feito, a pedido de Vorcaro, sete transferências para o fundo Havengate que somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época.
A outra investigação, relatada pelo ministro Flávio Dino, resultou na Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira (10). A ação teve como alvo o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e apura suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares por entidades e empresas ligadas à produção do filme.
Caso Master: o que aconteceu nesta sexta após novas revelações da PF
A manhã desta sexta-feira foi marcada por novos desdobramentos do caso Master após a divulgação de documentos da PF na Operação Compliance Zero. Os relatórios indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro soube antecipadamente da operação e apontam que dois ex-servidores do Banco Central teriam atuado como consultores do empresário mediante pagamento.
Também veio a público a investigação de Flávio Bolsonaro em relação ao Dark Horse no STF. Outro relatório enviado ao Supremo aponta suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli e um fundo que recebeu R$ 35 milhões ligados a Vorcaro.
Além disso, foram divulgados dois contratos do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, com o Banco Master, incluindo um acordo de R$ 131 milhões para "consultoria estratégica". No mesmo contexto, Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, foi citado pela PGR por orientar a gestão de recursos do filme nos Estados Unidos.
Alexandre de Moraes pediu análise conjunta das suspeitas envolvendo ele e André Mendonça, e a PGR solicitou a retirada do sigilo de todos os documentos do caso. Em resposta, o presidente do Supremo, o ministro Edson Fachin, deu o prazo de 24 horas para que Mendonça retire o sigilo total dos documentos.
