
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, que assuma o caso do relatório da Polícia Federal sobre mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes e adie o julgamento marcado para a próxima terça-feira (15).
Em ofício, o decano diz ter "sérias dúvidas" de que o processo que estará na pauta esteja em condições de ser analisado pelos ministros. As informações são do jornal O Globo.
Gilmar Mendes defendeu, ainda, que o plenário do Supremo analise em conjunto o caso de Moraes e o do ministro André Mendonça.
"O momento exige, sobretudo, unidade de condução, clareza quanto ao objeto do julgamento e observância rigorosa das garantias processuais de todos os envolvidos", afirmou no documento.
Mais cedo, Moraes já havia pedido a Fachin que o plenário da Corte analisasse de forma conjunta as suspeitas levantadas contra ele e contra a atuação do ministro André Mendonça.
No despacho enviado a Edson Fachin, Moraes sustenta que o próprio presidente do Supremo já teria reconhecido a existência da conexão entre os procedimentos.
O que aconteceu nesta sexta após novas revelações da PF
A manhã desta sexta-feira (11) foi marcada por novos desdobramentos do caso Master após a divulgação de documentos da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
Os relatórios indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro soube antecipadamente da operação e apontam que dois ex-servidores do Banco Central teriam atuado como consultores do empresário mediante pagamento.
Também veio a público a investigação do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro no inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Além disso, há informações de que o candidato à Presidência pelo PL teria se encontrado com Vorcaro antes de cobrar a verba para o longa. Flávio defendeu o fim do sigilo e disse que "quer transparência em tudo".
Outro relatório enviado ao STF aponta suspeitas envolvendo o ministro Dias Toffoli e um fundo que recebeu R$ 35 milhões ligados a Vorcaro.
Além disso, foram divulgados dois contratos do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master, incluindo um acordo de R$ 131 milhões para "consultoria estratégica". No mesmo contexto, Eduardo Bolsonaro foi citado pela PGR por orientar a gestão de recursos do filme nos Estados Unidos.

