
João Carlos Mansur, fundador da gestora de fundos Reag Investimentos, assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta quarta-feira (2). Mansur já ofereceu aos investigadores novos detalhes sobre os crimes financeiros de Daniel Vorcaro e do Banco Master, além de ter delatado outros personagens envolvidos no esquema.
Essa é a primeira delação firmada pela PGR dentro das investigações da Operação Compliance Zero. O acordo de delação já foi enviado pela PGR ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte.
Delação ainda será avaliada por Mendonça
Nos próximos dias, Mendonça deve marcar uma audiência para ouvir Mansur sobre a espontaneidade de sua colaboração e analisar se o acordo atende aos critérios legais. Depois disso, o ministro decide se homologa a delação, o que significa um aval jurídico para que o acordo possa ser utilizado como meio de prova. Com isso, Mansur se tornaria efetivamente um colaborador das investigações.
Como mostrou reportagem do UOL, a proposta de delação apresentada por Mansur contemplava ao menos 17 temas diferentes e uma multa de R$ 40 milhões. Mansur também teria citado políticos como o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito e candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), segundo a Folha de S. Paulo.
Os investigadores consideraram que Mansur entregou detalhes mais inéditos e mais relevantes sobre o caminho dos recursos desviados no esquema do Banco Master.
Reag Investimentos
A Reag operou diversos fundos de investimentos usados por Vorcaro para a retirada de recursos do sistema financeiro para seu patrimônio pessoal ou para pagamentos de propina. Em janeiro, o Banco Central (BC) decretou a liquidação da Reag.
Procurada pelo Estadão, a defesa de Mansur não se manifestou.


