
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) teria se encontrado presencialmente com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em 20 de agosto de 2025, pouco mais de duas semanas antes de começar a cobrar do empresário os pagamentos previstos para o financiamento do filme Dark Horse.
A informação foi publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com base em relatório da Polícia Federal (PF) tornado público após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinar a quebra de sigilo dos documentos. A medida foi cumprida pelo ministro André Mendonça.
Segundo a PF, dados extraídos do celular de Vorcaro mostram que o banqueiro enviou a Flávio uma mensagem com um horário para um "provável encontro presencial entre ambos". Na sequência, o senador respondeu: "a caminho".
Flávio enviou áudios a Vorcaro em setembro de 2025, questionando o atraso nas parcelas destinadas ao filme. Conforme o relatório, o senador demonstrou preocupação com o pagamento do cachê do ator americano Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro no longa.
Ainda segundo a PF, Flávio e Vorcaro trocaram mensagens e fizeram ligações, em setembro, na tentativa de marcar um novo encontro.
Em maio deste ano, após reportagem publicada pelo veículo de notícias Intercept Brasil, Flávio admitiu ter se encontrado presencialmente com Vorcaro em dezembro de 2025, em São Paulo, quando o banqueiro já estava usando tornozeleira eletrônica.
Os relatórios da PF também apontam que o fundo Havengate ficou "operacionalmente inerte" por quatro anos, até receber, em fevereiro de 2025, uma primeira remessa de US$ 2 milhões destinada ao financiamento de Dark Horse.
O fundo, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foi usado para financiar o filme. A PF e a PGR também investigam se os repasses ajudaram a financiar o autoexílio do ex-deputado nos Estados Unidos.
Nesta semana, Mendonça homologou a delação premiada do operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, que, segundo a investigação, foi usada para repasses de dinheiro entre Vorcaro e a produção do filme.
Segundo informações da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, ele confirmou à PGR ter feito, a pedido de Vorcaro, sete transferências para o fundo Havengate que somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época.
Flávio é investigado no STF sobre financiamento de Dark Horse
Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em julho, mas só veio a público agora, após a queda do sigilo de investigações relacionadas ao caso Master.
O senador e candidato à Presidência da República nega irregularidades e diz que todos os recursos do filme foram privados.
Segundo reportagem do jornal O Globo, mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) mostram que Flávio pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme. Planilhas apreendidas indicam que o valor solicitado chegou a cerca de R$ 130 milhões, dos quais entre R$ 60 milhões e R$ 61 milhões teriam sido pagos.
