
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em julho, mas só veio a público na manhã desta sexta-feira (11), após a queda do sigilo de apurações relacionadas ao caso Master. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo. Flávio nega irregularidades e diz que todos os recursos do filme foram privados.
Segundo a reportagem, mensagens apreendidas pela PF mostram que Flávio pediu recursos para a produção do filme a Vorcaro. Planilhas apreendidas indicam que o valor solicitado chegou a cerca de R$ 130 milhões, dos quais entre R$ 60 milhões e R$ 61 milhões teriam sido pagos.
O pedido para abertura da investigação partiu da PF e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
"(...) autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial", escreveu Mendonça em um trecho da decisão à qual o jornal O Globo teve acesso.
Uma das suspeitas investigadas é de que recursos do Banco Master, envolvido em supostas fraudes milionárias, tenham sido encaminhados para a produtora do filme por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos. A PF também apura a possibilidade de que valores tenham sido usados para bancar despesas no Exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos.
Flávio teria se encontrado com Vorcaro antes de cobrar verba para o filme
Também nesta manhã, um relatório divulgado pela PF apontou que Flávio Bolsonaro teria se encontrado com Daniel Vorcaro antes de cobrar verba para o filme sobre Jair Bolsonaro. A informação foi publicada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Segundo o documento, o encontro teria ocorrido em agosto de 2025, pouco mais de duas semanas antes de o senador cobrar o empresário sobre os pagamentos previstos para a produção do longa.
Ainda conforme a PF, dados extraídos do celular de Vorcaro mostram que o banqueiro enviou a Flávio uma mensagem com um horário para um "provável encontro presencial entre ambos". Na sequência, o senador respondeu: "a caminho".
Investigações sobre o financiamento de Dark Horse
Há duas investigações distintas no STF relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse. Essa relatada por Mendonça é um desdobramento do caso Master e apura os repasses de Vorcaro a Flávio.
Nesta semana, Mendonça homologou a delação premiada do operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, que, segundo a investigação, foi usada para repasses de dinheiro entre Vorcaro e a produção do filme.
Segundo informações da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, ele confirmou à PGR ter feito, a pedido de Vorcaro, sete transferências para o fundo Havengate que somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época.
A outra investigação, relatada pelo ministro Flávio Dino, é a que resultou na Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira (10), que teve como alvo o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e apura suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares por entidades e empresas ligadas à produção do filme.


