
Na última terça-feira (1º), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que aponta relações e o teor de mensagens entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. Conforme explica o doutor em Direito Constitucional Fernando Capano, o episódio é juridicamente sensível, mas dificilmente resultará em um processo de impeachment contra o magistrado no cenário político atual.
— Nós estamos diante realmente de um episódio que é distinto na história... Embora tenha rito jurídico, o processo de impeachment é um processo previsto em lei, mas é um crivo mais político, porque parte do pressuposto do cometimento dos chamados crimes de responsabilidade, à semelhança do que ocorreu na última vez em que a gente utilizou esse remédio, que foi por ocasião do impeachment da então presidente Dilma.
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O fator eleitoral e o Senado
Para o especialista ouvido pelo programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o principal obstáculo para o andamento no Legislativo não é técnico, mas de conjuntura. O país vive um período eleitoral, o que reduz o quórum e o apetite político do Senado para abrir um processo de impeachment.
— Não me parece que há hoje, necessariamente, por mais grave que seja o episódio, não há clima para que a gente possa conduzir a um processo de impeachment do ministro do Supremo. Talvez, depois das eleições, a questão possa se desdobrar — destacou.

