- A sessão extraordinária na Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino
- O plenário analisava uma possível investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta ligação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso por fraudes financeiras
- Os dois ministros do STF que protagonizam a crise, Alexandre de Moraes e André Mendonça, tiveram bate-boca na sessão
- Discussão entre Gilmar Mendes e André Mendonça também foi registrada
- O placar ficou em 4 a 3 para analisar separadamente casos de Moraes e Mendonça. Votaram para manter a separação Fachin, Fux, Mendonça e Cármen Lúcia
- Para juntar os casos votaram Gilmar Mendes, Moraes, Zanin e Dino (que ao fim da sessão retirou o voto e pediu vista)
Siga ao vivo
Entenda o contexto da sessão
A sessão desta terça-feira (15) ocorre em meio a uma crise institucional sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros analisam, em plenário, o relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mais de 50 mensagens enviadas pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Alexandre de Moraes, que integra a Corte. Na sessão, o plenário decidirá se autoriza abertura de investigação de Moraes.
A polícia indica que Vorcaro se encontrou oito vezes com Moraes e pediu ajuda para conter ações contra o banco. O documento também cita a atuação do ministro na análise de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Presidida pelo ministro Edson Fachin, a sessão extraordinária desta terça é considerada inédita porque envolve a discussão sobre um relatório da PF que tem como suspeito um membro do Supremo. A crise entre ministros envolve as investigações sobre a fraude bilionária do Banco Master, que se tornou pública no final do ano passado, com a liquidação da instituição financeira e com a prisão do então dono Daniel Vorcaro.
O primeiro ministro a aparecer em suposto envolvimento com Vorcaro foi Dias Toffoli — sorteado para ser relator do caso. Por isso, em fevereiro de 2026, Toffoli deixa a relatoria após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregar a Fachin um documento listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli. As investigações apontam para negócios envolvendo o resort Tayayá, no Paraná, que tinha participação de empresas ligadas à família de Toffoli.
Depois disso, o ministro André Mendonça assume a relatoria e pede para a PF produzir o relatório que é analisado nesta sessão. O documento apresenta metadados extraídos do celular de Vorcaro que indicam que Moraes teria editado uma versão do contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o ex-banqueiro e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
No dia 1º de setembro deste ano, Mendonça então derruba o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens trocadas entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Em uma troca de mensagens, o ex-banqueiro teria perguntado ao ministro: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". O trecho teria sido enviado, conforme a PF, em 15 de novembro de 2025, um sábado. Em 17 de novembro, segunda-feira, Vorcaro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.
Em uma escalada da crise entre os ministros, em 3 de setembro, dois dias após seu nome aparecer no relatório, Moraes solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, investigação contra André Mendonça na condução dos inquéritos sobre o Banco Master e fraude no INSS. Na decisão proferida no inquérito das fake news, Moraes afirma que há indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça.
Na tentativa de intervir e amenizar os ânimos, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determina que o pedido de investigação de Mendonça feito por Moraes seja retirado do inquérito das fake news. Fachin abre um procedimento, sob sua relatoria, para apurar supostas irregularidades em investigações da PF que envolvem autoridades com foro na Corte.
O presidente também assume para si a relatoria de outras ações, como a que trata de conversas entre Moraes e Vorcaro. Além disso, Fachin determina que a sessão desta terça-feira trate apenas do caso envolvendo Moraes e marca para 23 de setembro a análise dos questionamentos sobre a atuação de Mendonça.



