
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pediu nesta terça-feira (15) ao presidente da Corte, Edson Fachin, a investigação de uma possível relação entre o Banco Master, o Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, e contratos firmados pelo município de São Paulo. As informações são do jornal O Globo.
O pedido foi apresentado em uma ação que discute regras para o funcionamento de cemitérios privados no Estado de São Paulo. No documento, Dino aponta diferentes fatos que, na avaliação dele, precisam ser analisados em conjunto.
Entre os pontos levantados pelo ministro estão a atuação de André Mendonça no processo, a relação do Instituto Iter com contratos firmados pelo município e um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
A solicitação ocorre horas antes do julgamento, pelo plenário do STF, sobre as mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. A Corte analisa a possibilidade de abrir uma investigação sobre Moraes a partir de elementos reunidos pela Polícia Federal. A sessão está marcada para as 10h.
Entre os pontos levantados por Dino está a atuação de Mendonça no processo que discute o funcionamento dos cemitérios privados. O ministro também chamou atenção para a atuação de Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, na SP Regula, agência responsável pela regulação de serviços públicos da cidade de São Paulo. Segundo a decisão, ele atua na área funerária e cemiterial.
Outro ponto citado é um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro. A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter. Para Dino, o encontro ganha relevância porque o instituto passou a prestar serviços remunerados à administração municipal, que é parte diretamente envolvida na ação sobre os cemitérios.
Mendonça informou, em 3 de setembro, que decidiu deixar a sociedade do instituto, criado em 2024 e voltado a atividades educacionais e acadêmicas.
O município, por sua vez, é responsável pela contratação de empresas privadas que atuam no setor funerário, entre elas o Grupo Cortel. Nesse contexto, Dino cita Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero.
O ministro menciona ainda um contrato de aproximadamente R$ 1,63 milhão, firmado sem licitação entre o Instituto Iter e a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligada ao governo de São Paulo. O acordo teria como objetivo a prestação de serviços técnicos na área de formação e gestão educacional.
A decisão não afirma que os fatos citados comprovem, por si só, irregularidade, favorecimento ou conflito de interesses envolvendo Mendonça. O pedido de Dino é para que as possíveis conexões entre os envolvidos e os contratos sejam apuradas.
Contraponto
A reportagem de Zero Hora tenta contato com o grupo, mas não obteve retorno até a atualização dessa reportagem.


