
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) investigue indícios de uma suposta onda de ataques contra imagens religiosas nos últimos meses em diversas regiões do país (leia a íntegra abaixo).
A decisão foi tomada em meio à disputa entre ministros da Corte sobre publicações que associam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, a um projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
"Após a minha decisão proferida no último domingo (27), visando preservar a liberdade religiosa — especialmente em favor dos participantes do culto à Nossa Senhora Aparecida — chegaram ao Gabinete, por vários meios, notícias de várias partes do Brasil demonstrando uma aparente onda de ataques nos últimos meses contra IMAGENS RELIGIOSAS", afirmou Dino, citando casos ocorridos de março a setembro deste ano.
O ministro reproduziu relatos de vandalismo contra imagens de Nossa Senhora Aparecida e outros santos católicos, além de ataques a terreiros de umbanda. Ele classificou o cenário como "bastante grave" e apontou indícios de crimes como ultraje a culto, preconceito religioso, ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio.
Dino afirmou ainda que a atuação da Polícia Federal é necessária diante da "repercussão interestadual, a necessidade de repressão uniforme e a natureza aparente de crimes contra os direitos humanos".
Nesta quarta-feira (30), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga a decisão que determinou a retirada das publicações. A análise ocorre em plenário virtual, a quatro dias das eleições gerais. O relator do caso, ministro André Mendonça, já apresentou voto pela manutenção da decisão.
Imagens destruídas em Rio Grande
Um dos episódios citados pelo ministro ocorreu em 29 de agosto, na Catedral de São Pedro, em Rio Grande, no sul do Estado. Segundo o padre Gil Pereira Júnior, responsável pela catedral, um homem entrou na igreja e derrubou duas imagens de anjos que estavam no altar, quebrando as peças menos de uma hora antes de uma celebração de Crisma que seria presidida pelo bispo Dom Jorge Pierozan.

