O relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mensagens trocadas entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes veio a público na tarde desta terça-feira (1º), depois que o ministro do STF André Mendonça derrubou o sigilo do documento.
Mais cedo, o jornal Estado de S. Paulo havia divulgado trechos do documento. Segundo a PF, Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, tirava prints e os enviava como mensagens de visualização única pelo WhatsApp. Os arquivos foram recuperados pela PF.
Confira o que os colunistas de GZH disseram sobre o tema:
Já não é mais uma questão de pedido de licença. O ministro Alexandre de Moraes perdeu as condições para continuar no Supremo Tribunal Federal. Só a renúncia evitará que seja submetido a um processo de impeachment no Senado, fazendo sangrar a instituição que integra desde 2017.
Dez pessoas que despacham no mesmo prédio vão decidir por maioria se uma delas pode ser investigada. Esse é o desenho institucional que o Brasil escolheu, e ele funciona razoavelmente bem enquanto ninguém precisar usá-lo. Quando precisa, a pergunta que deveria ser sobre indício vira uma pergunta sobre placar.
É muito grave tudo que estamos sabendo hoje sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. As desconfianças já pairavam há meses, quando algumas mensagens vieram à tona, mas as revelações de hoje atingem um outro patamar.
Seria obrigação moral de Moraes vir a público explicar as relações suspeitas. Desde 27 de março, segundo o Estadão, são pedidas entrevistas, esclarecimentos à assessoria do ministro, e nada é falado.
A pressão interna para que Moraes seja formalmente investigado aumentou com os novos vazamentos do inquérito. Para que isso ocorra, no entanto, é necessário um pedido formal da PGR e a autorização do plenário.






