Nesta sexta-feira (11), foram feitas novas revelações sobre o caso Master após o levantamento do sigilo dos relatórios sobre as investigações da Polícia Federal. A abertura dos arquivos foi determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ao relator do caso, André Mendonça.
Confira as opiniões dos colunistas de GZH sobre o assunto:
Quando tarde da noite de quinta-feira (10) o ministro André Mendonça atendeu à solicitação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e levantou o sigilo da investigação do Banco Master, imaginava-se que tudo seria trazido à luz do dia. Mas (e sempre tem um "mas") havia uma brecha para Mendonça fazer o levantamento seletivo do segredo: a exceção para o que pudesse prejudicar a investigação.
A estratégia do banqueiro Daniel Vorcaro para abrir caminho na cúpula dos poderes em Brasília foi pouco inovadora, mas muito efetiva. Com dinheiro farto, convite para festas de luxo e atenção especial a lideranças estratégicas, ele conseguiu manter vivo um emaranhado de negócios que culminou na maior fraude financeira do país.
O Supremo Tribunal Federal deveria ter 11 ministros, mas tem 11 Supremos. Foi o que se viu na última semana, quando Flávio Dino cometeu um abuso para corrigir o abuso de André Mendonça, que foi abusivo ao combater os abusos de Alexandre de Moraes, que abusou do poder após enfrentar os abusos de Jair Bolsonaro.
Para a economia, atenção maior no relatório da Polícia Federal (PF) aos tentáculos do Banco Master dentro do Banco Central (Bacen), autoridade monetária responsável pelo sistema financeiro do Brasil, com influência em juro, dólar e inflação, por exemplo.
O único personagem do caso Master que ainda pode alegar pureza é um arquipélago. Cristóvão Colombo o avistou em 1493 e o batizou em homenagem a Santa Úrsula e às 11 mil virgens martirizadas com ela. A parte que coube aos ingleses virou, séculos depois, um dos endereços preferidos do dinheiro que precisa perder o sobrenome.
Não marque nada para este 15 de setembro. É o dia em que o país viverá uma superterça de suspense e, se tudo correr bem, de enorme depuração.
Para a confiança na democracia e no sistema de pesos e contrapesos no qual ela se assenta, a partidarização do STF é uma tragédia que não tem apenas um culpado: ela teve início quando as indicações a ministros passaram a privilegiar lealdade política antes do virtuosismo jurídico.









