
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pediu vista às 17h48min desta terça-feira (15) durante sessão que analisa relatório da Polícia Federal sobre caso Master e avalia se há elementos que justifiquem a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes por relação com Daniel Vorcaro.
O pedido de vista, que dá mais tempo para os ministros analisarem o caso, ocorreu após bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça.
A opinião dos colunistas de GZH sobre a crise no STF
— Eu tenho que interromper esta situação porque nós temos uma questão de ordem. Nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior, e a sociedade está assistindo a algo diferente do rito que a lei manda — disse Dino.
O magistrado tem até 90 dias para colocar o caso em pauta novamente.
A sessão terminou indefinida. Os magistrados debatiam pedido de ordem de Gilmar Mendes para que as ações de Moraes e Mendonça, do caso Master, fossem analisados de forma conjunta.
O placar ficou em quatro a três conta o pedido de Gilmar, ou seja, para analisar os casos dos magistrados separadamente.
Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram para que os casos de Moraes e Mendonça sejam debatidos separadamente. Já Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para uma sessão conjunta.
Dino chegou a proclamar seu voto seguindo o último grupo, mas a manifestação dele foi excluída da contagem provisória devido ao pedido de vista.
Crise no STF
A sessão desta terça-feira ocorre em meio a uma crise institucional sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros analisam em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mais de 50 mensagens enviadas pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Alexandre de Moraes, que integra a Corte. Na sessão, o plenário decidirá se autoriza abertura de investigação de Moraes.
A polícia indica que Vorcaro se encontrou oito vezes com Moraes e pediu ajuda para conter ações contra o banco. O documento também cita a atuação do ministro na análise de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Presidida pelo ministro Edson Fachin, a sessão extraordinária desta terça é considerada inédita porque envolve a discussão sobre um relatório da PF que tem como suspeito um membro do Supremo. A crise entre ministros envolve as investigações sobre a fraude bilionária do Banco Master, que se tornou pública no final do ano passado, com a liquidação da instituição financeira e com a prisão de Vorcaro, então dono do banco.
O primeiro ministro a aparecer em suposto envolvimento com Vorcaro foi Dias Toffoli — sorteado para ser relator do caso. Por isso, em fevereiro de 2026, o magistrado deixou a relatoria após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregar a Fachin um documento listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli. As investigações apontam para negócios envolvendo o resort Tayayá, no Paraná, que tinha participação de empresas ligadas à família do ministro.
Depois disso, o ministro André Mendonça assumiu a relatoria e pediu para a PF produzir o relatório que é analisado nesta sessão. O documento apresenta metadados extraídos do celular de Vorcaro, que indicam que Moraes teria editado uma versão do contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o banqueiro e o escritório de advocacia de sua esposa.
Em 1º de setembro deste ano, Mendonça derrubou o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. Em uma delas, o banqueiro teria perguntado ao ministro: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". O trecho teria sido enviado, conforme a PF, em 15 de novembro de 2025, um sábado. Em 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.
Em uma escalada da crise entre os ministros, em 3 de setembro, dois dias após o seu nome aparecer no relatório, Moraes solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, investigação contra André Mendonça na condução dos inquéritos sobre o Banco Master e fraude no INSS. Na decisão proferida no inquérito das fake news, Moraes afirma que há indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça.
Na tentativa de intervir e amenizar os ânimos, Fachin determinou que o pedido de investigação de Mendonça feito por Moraes fosse retirado do inquérito das fake news. Fachin abriu um procedimento, sob sua relatoria, para apurar supostas irregularidades em investigações da PF que envolvem autoridades com foro na Corte.
O presidente também assumiu para si a relatoria de outras ações, como a que trata de conversas entre Moraes e Vorcaro. Além disso, Fachin determinou que a sessão desta terça-feira trate apenas do caso envolvendo Moraes e marcou para 23 de setembro a análise dos questionamentos sobre a atuação de Mendonça.














