Governador do Rio Grande do Sul entre 2011 e 2014, Tarso Genro é o sétimo entrevistado do Memórias do Piratini. A série especial, que integra o Conversas Cruzadas, reúne todos os ex-governadores do Estado desde Jair Soares para revisitar os principais momentos de suas gestões. A única exceção é Alceu Collares, que morreu em 2024.
Ex-prefeito de Porto Alegre e ex-ministro da Educação e da Justiça, Tarso recorda, na entrevista com a comunicadora Andressa Xavier, a chegada ao Palácio Piratini, a convivência com lideranças históricas do PT e os principais episódios de seu mandato. Primeiro governador gaúcho eleito em primeiro turno, ele atribui a vitória ao legado acumulado pelo partido em Porto Alegre e no Estado, além de uma estratégia de ampliação de alianças.
— Venci porque tinha um ambiente político no Estado que tinha formado uma memória dos nossos governos. Então eu herdei naquele momento toda uma tradição que foi constituída pelo partido e que nos levou à vitória. O Olívio é também responsável por essa vitória, assim como toda a frente política que nós conseguimos montar — relembra.
“Eu não guardo mágoa de ninguém na política”
Ao falar sobre a convivência com adversários e antigos rivais eleitorais, Tarso destaca a relação que mantém com outros ex-governadores do Estado. Ele cita encontros e conversas frequentes com nomes como Jair Soares, Germano Rigotto e Yeda Crusius, além da proximidade que manteve com Alceu Collares.
— Não guardo mágoa de ninguém na política. Tanto é que eu sou amigo de todos os governadores — afirma.
O ex-governador também faz uma autocrítica sobre a oposição feita pelo PT ao governo Collares e destaca a importância do diálogo entre lideranças de diferentes correntes políticas.
“O momento mais dramático da minha vida pública”
Entre os episódios marcantes do mandato, Tarso aponta os protestos de junho de 2013 como o período politicamente mais difícil de sua passagem pelo Piratini. Na entrevista, ele diz ter interpretado aqueles movimentos como o início de um processo que anos depois desembocaria no fortalecimento da extrema direita no país:
— O que ocorreu foi efetivamente um movimento que se apresentou como democrático, mas que não tinha uma pauta democrática. Foi uma ruptura processual que começou com aqueles movimentos de junho. O que não quer dizer que não tivessem pautas justas.
Já no campo pessoal, acredita que a tragédia da Boate Kiss, que deixou 242 mortos, em Santa Maria, foi o momento mais duro de toda a sua trajetória pública.
— Foi o momento mais dramático da minha vida pública. Porque aquilo ali ceifou vidas de dezenas de jovens de uma maneira brutal — relembra.


