Governador do Rio Grande do Sul entre 1995 e 1999, Antônio Britto é o terceiro entrevistado do Memórias do Piratini. A série especial, que integra o Conversas Cruzadas, reúne todos os ex-governadores do Estado desde Jair Soares para revisitar os principais momentos de suas gestões. A única ausência é a de Alceu Collares, que morreu em 2024.
Jornalista de formação, Britto iniciou a transição para a política ao atuar como secretário de imprensa de Tancredo Neves, eleito presidente da República em 1985, e foi o responsável pelo anúncio da morte do emedebista. A experiência, somada aos mandatos como deputado federal, foi um dos temas da conversa do ex-governador com a comunicadora Andressa Xavier.
– A principal questão é como que a gente era frio para não deixar o país entrar numa situação em que até se perdesse um pouco o controle. Mas, de outro lado, entender que ali estava uma coisa inacreditavelmente emocionante – relembra do anúncio.
A eleição do então deputado para o Piratini chegou perto de acontecer ainda em 1º turno, com 49,2% dos votos, e foi marcada pela polarização entre o PMDB de Britto e o PT de Olívio Dutra, que na eleição de 1998 se consagraria vencedor. No segundo turno, Britto teve 52,21% dos votos.
– Acho que a gente leu corretamente, e a gente não sou eu, (mas) o Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul precisava mudar de discurso, precisava buscar desenvolvimento, precisava entrar numa agenda nova – analisa.
“Talvez eu tenha tido pressa demais”
Com um governo marcado por reformas e privatizações (entre elas, CRT e parte da CEEE), Britto acredita no legado, embora pondera que nem tudo funcionou no longo prazo. Não foge das polêmicas e diz que a vida é mais próxima de um meio-termo, ao cinza, e não preto ou branco.
– Eu achava que o Mercosul seria e foi uma janela passageira. Eu achava, e foi, que o Real seria uma janela de mercado interno passageiro. Eu pensava sempre que seria necessário ter pressa. Talvez eu tenha tido pressa demais – reflete.
“Eu estou fazendo política”
Dentre os 10 ex-governadores ouvidos no Memórias do Piratini, Antônio Britto é o nome que mais se distanciou da atividade eleitoral. Atualmente, ele é diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). Ainda assim, diz não estar fora da atividade política:
– Estou fora da atividade eleitoral, não tenho nem vou ter atividade partidária, mas quando estou, por exemplo, na Anahp, e estou discutindo em Brasília como fazer para melhorar a saúde e como fazer para melhorar essas coisas todas, eu estou fazendo política. Não é política eleitoral, mas é política.



