Governador do Rio Grande do Sul entre 1987 e 1990, Pedro Simon é o segundo entrevistado do Memórias do Piratini. A série especial, que integra o Conversas Cruzadas, reúne todos os ex-governadores do Estado desde Jair Soares para revisitar os principais momentos de suas gestões. A única ausência é a de Alceu Collares, que morreu em 2024.
Figura histórica do MDB e um dos principais nomes da oposição ao regime militar, Simon foi o segundo governador gaúcho eleito após a retomada das eleições diretas para o cargo. A redemocratização e a resistência à ditadura, que antecederam sua chegada ao Piratini, permeiam boa parte da conversa com a comunicadora Andressa Xavier e ajudam a explicar a visão que construiu sobre a política ao longo de décadas de vida pública.
— Foi duro, foi difícil. Caçaram, prenderam, mataram. O ápice das violências mais radicais foi praticado. Praticamente, foi uma época em que a liberdade não existia, e nós fizemos política com ideal, com capacidade, com garra e com coragem — disse o emedebista ao recordar o período.
"O pessoal da Arena também colaborou"
Ao relembrar a passagem pelo Palácio Piratini, Simon também faz um balanço da administração. Enfrentou desgaste com os servidores públicos, especialmente os professores, mas destaca as obras de infraestrutura realizadas durante o mandato e a relação construída com prefeitos de diferentes correntes políticas.
— As estradas saíram espetaculares, boas. Aqui vou fazer justiça aos prefeitos. O pessoal da Arena (com o fim do bipartidarismo, deu origem ao PDS) também colaborou, porque era positivo.
Ao citar a oposição, afirma que trabalhou em conjunto:
— Não tenho nenhuma mágoa.
"Optei por morar em casa"
Outro momento marcante da entrevista é quando explica a decisão de não morar na residência oficial do governador, localizada no próprio Palácio Piratini. Em vez de ocupar o espaço destinado ao chefe do Executivo, preferiu manter a rotina em casa durante todo o mandato.
— Foi um período realmente duro. Eu optei por morar em casa. Não quis ficar no Palácio — conta. — Achei que eu tinha que ser um governador pleno, total, mas, na minha circunstância, preferi ficar em casa — acrescenta.




