
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, nesta segunda-feira (6), que o inquérito contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volte à Polícia Federal (PF) para que o parlamentar seja ouvido.
Após a audição, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nova vista dos autos para se manifestar sobre o relatório conclusivo da investigação.
A manifestação ocorre após a PF concluir, em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no em 26 de junho, que Flávio cometeu o crime de calúnia contra Lula.
Gonet afirmou que a oitiva do senador é uma medida de "especial relevância", sobretudo diante da possibilidade de retratação, que, nos casos de calúnia e difamação, pode isentar o investigado de pena.
O inquérito foi instaurado em abril pelo ministro Alexandre de Moraes para investigar uma publicação feita por Flávio na rede social X, em 3 de janeiro deste ano, quando Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos.
A postagem tem um print da captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, e uma manchete do portal Metrópoles que noticia reunião de emergência convocada por Lula após a captura do venezuelano.
"Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…", escreveu.
Para a PF, ficou claro que Flávio afirmava que a suposta delação seria feita por Maduro e associava Lula aos crimes listados na sequência da publicação. O relatório policial concluiu, por isso, que houve prática de calúnia contra o presidente da República.
A investigação teve origem em um ofício da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) encaminhado ao Ministério da Justiça, que requisitou à PF a abertura da apuração. O inquérito foi posteriormente instaurado no STF por Moraes após manifestação favorável da PGR.


