Governador do Rio Grande do Sul entre 2003 e 2006, Germano Rigotto é o quinto entrevistado do Memórias do Piratini. A série especial, que integra o Conversas Cruzadas, reúne todos os ex-governadores do Estado desde Jair Soares para revisitar os principais momentos de suas gestões. A única ausência é a de Alceu Collares, que morreu em 2024.
Deputado estadual e federal antes de chegar ao Palácio Piratini, Rigotto recorda uma campanha que começou de forma improvável. Escolhido candidato pelo então PMDB a poucos meses da eleição, ele apareceu nas pesquisas iniciais com cerca de 2% das intenções de voto — os favoritos eram o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT) e o ex-governador Antônio Britto (à época, no PPS). Na conversa com a comunicadora Andressa Xavier, Rigotto atribui a virada ao discurso de união em um cenário polarizado.
— Entendia que nós tínhamos que ter um processo de pacificação política do Rio Grande. Ganhei mostrando isso e assumo o governo procurando efetivamente buscar esse processo de pacificação — afirma o ex-governador, que teve o coração como símbolo da campanha e um jingle que marcou a época.
“Foi uma decisão muito difícil"
Ao relembrar o período no Piratini, Rigotto cita as finanças públicas como principal desafio. Chegou a adotar medidas rechaçadas em outros momentos, como o aumento do ICMS sobre energia, combustíveis e telecomunicações:
— Aquilo me doeu muito. Aquilo foi uma decisão muito difícil, mas tomada ouvindo toda a equipe, mostrando números e mostrando qual era a realidade que estávamos vivendo. Eu não tinha outra alternativa naquele momento.
Da consagração à derrota
Candidato à reeleição em 2006 — quando se dividiu entre o governo e a campanha —, o peemedebista liderava as pesquisas, mas acabou ficando fora do segundo turno por uma diferença de pouco mais de 17 mil votos. A escolha ficou entre Olívio Dutra (PT) e Yeda Crusius (PSDB), que acabou vencedora. Isso ele chama de aprendizado sobre a imprevisibilidade do processo eleitoral e a importância de não tratar resultados como definidos antes da votação:
— Sou exemplo vivo de que ganhei uma impossível e perdi uma praticamente impossível de perder. Não tem eleição ganha nem tem eleição perdida. O detalhe pode significar uma mudança de resultado.



