Governador do Rio Grande do Sul entre 2019 e 2022 e com segundo mandato em exercício até o fim de 2026, Eduardo Leite é o décimo, e último, entrevistado do Memórias do Piratini. A série especial, que integra o Conversas Cruzadas, reúne todos os ex-governadores do Estado para revisitar os principais momentos de suas gestões. A única ausência é a de Alceu Collares, que morreu em 2024.
Primeiro reeleito na história gaúcha, Leite é também um dos mais jovens a assumir o Executivo — tomou posse aos 33 anos. Vereador e prefeito de Pelotas antes de concorrer ao Piratini, o bacharel em Direito é também o primeiro governador abertamente gay na história do Brasil. Durante a entrevista com a comunicadora Andressa Xavier, ele relembra as duas campanhas eleitorais, a situação fiscal e duas das maiores crises enfrentadas pelo Rio Grande do Sul: a pandemia da Covid-19 e a enchente de maio de 2024.
— Esses anos que eu tive o privilégio de liderar o Rio Grande do Sul foram anos também de especial dificuldade. A crise fiscal eu sabia que não seria fácil e que naturalmente me demandaria — reflete o governador sobre a sua primeira eleição.
Leite lembra do cenário de polarização que já se apresentava em 2018 e que se tornaria mais forte em 2022:
— Era uma circunstância política muito dura que a gente estava vivenciando ali. E esse posicionamento sobre a eleição nacional (Lula contra Bolsonaro, que não tiveram o apoio de Leite) também pressionando muito a eleição local.
“Eu sou posicionado”
Inicialmente contrário à reeleição, Leite renunciou do cargo em março de 2022 com o objetivo de disputar a Presidência da República. Em disputa interna no PSDB, o partido escolheu João Dória — candidatura que não se concretizou. Assim, o governador decidiu disputar um novo mandato para o comando do Piratini.
Apesar dos meses de liderança nas pesquisas, Leite passou para o segundo turno com pouco mais de 2 mil votos de diferença do terceiro colocado, Edegar Pretto (PT).
— As pessoas insistem. Tem que se posicionar. Eu sou posicionado. Qualquer assunto que você quiser que eu me posicione: privatização, diversidade, questões de segurança, da educação, eu tenho posicionamento. O que eu não tenho é adesão a Lula ou Bolsonaro. O mundo, a política, tudo é muito mais diverso — afirma.
"Na crise você tem que estar na linha de frente”
Leite acredita que a enchente tenha sido o período mais desafiador, pela violência com que chegou e por ocorrer apenas em território gaúcho (não havia paralelo com outros locais).
— Na crise, tem que estar na linha de frente. Às vezes, você ainda não tem a resposta para dar, mas tem que estar lá na linha de frente. Não pode ficar escondido. Foi muito dramático ver aquela situação, muito difícil. Eu chorei muito naqueles dias nos momentos em que eu estava sozinho — relembra.



