
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou as redes sociais nesta quinta-feira (2) para criticar o pedido feito por Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos para que adiem o início da aplicação de novo tarifaço ao Brasil.
"Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois", escreveu o presidente Lula.
A manifestação do petista é uma crítica ao pré-candidato à Presidência pelo PL, que enviou um documento ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no qual pediu o adiamento por 180 dias da aplicação das taxas contra exportações brasileiras, prazo que se encerraria após as eleições brasileiras.
No texto enviado ao USTR, Flávio afirma que a aplicação de novas tarifas pode fortalecer o petista politicamente em um ano eleitoral. Ele alega que o presidente tem dito que as ações no campo econômico são ataques à soberania nacional.
Lula atribui as ameaças de tarifaço dos Estados Unidos a articulações da família Bolsonaro, especialmente ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Mais uma vez, ele disse que a "origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros".
Lula criticou ainda o que chamou de "entreguismo" da família Bolsonaro que, segundo ele, quer "submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano".
Na postagem, Lula ainda disse que Bolsonaro e seus aliados "querem entregar o Pix a interesses estrangeiros".
"Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros", conclui o petista.
Nova rodada de negociação
Também nesta quinta-feira, o governo brasileiro confirmou nova etapa das negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Após reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, os dois países decidiram intensificar as tratativas com encontros técnicos já no início da próxima semana.
Segundo nota divulgada pelo ministério, o diálogo foi considerado "construtivo", mas ainda será necessário mais tempo para detalhar propostas e reduzir divergências. A expectativa é promover um novo encontro antes de 15 de julho, prazo estabelecido pelo governo norte-americano para definir eventuais medidas comerciais.

