
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou, nesta terça-feira (7), uma nota acusando o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro de "traição à pátria". A declaração acontece no mesmo dia em que o senador discursou em uma audiência, nos Estados Unidos, sobre uma possível adoção de sobretaxas contra produtos brasileiros.
"Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil", diz a nota.
A audiência, promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), é aberta aos interessados que se inscreverem. O parlamentar estava ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro.
Durante o discurso, Flávio afirmou que a eventual aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um ano eleitoral. As informações são do g1.
"Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro", ressaltou o comunicado.
De acordo com o governo, o senador não teria se posicionado contrário à nova aplicação de tarifas durante sua fala na audiência.
Discurso nos EUA
No discurso, o senador defendeu que a medida das tarifas não seja implementada neste momento e argumentou que o cenário político brasileiro poderia ser alterado:
— O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro, daqui a apenas 90 dias. O cenário político do país seria completamente diferente com a imposição de uma tarifa agora, que seria difícil de reverter.
Flávio disse ainda que este seria "o pior momento possível" para a aplicação da medida e pediu que a decisão seja adiada:
— Peço respeitosamente apenas uma coisa: não imponham tarifas ao Brasil. Preservem o sucesso dessa reconciliação e permitam-nos negociá-la.
Adiamento do tarifaço
Em documento encaminhado ao USTR em 2 de julho, Flávio Bolsonaro já pedia o adiamento por 180 dias da aplicação das taxas contra exportações brasileiras, prazo que se encerraria após as eleições no Brasil.
No texto, o senador afirma que a aplicação de novas tarifas pode fortalecer Lula politicamente em ano eleitoral. Ele alega que o presidente tem dito que as ações no campo econômico são ataques à soberania nacional.
Lula criticou a atitude
Em resposta ao pedido de Flávio para o USTR, o presidente Lula criticou a ação do senador. "Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois", escreveu nas redes sociais na última quinta-feira (2).
Lula atribui as ameaças de tarifaço dos Estados Unidos a articulações da família Bolsonaro, especialmente ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O petista disse ainda que a "origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros".



