Governador do Rio Grande do Sul entre 2015 e 2018, José Ivo Sartori é o oitavo entrevistado do Memórias do Piratini. A série especial, que integra o Conversas Cruzadas, reúne todos os ex-governadores do Estado desde Jair Soares para revisitar os principais momentos de suas gestões. A única ausência é a de Alceu Collares, que morreu em 2024.
Ex-prefeito de Caxias do Sul, Sartori relembra, na entrevista com a comunicadora Andressa Xavier, as medidas adotadas diante da crise financeira do Estado, a relação com lideranças do partido e os desafios de governar com parcelamento de salários e reformas administrativas.
— Aprendi a ter mais paciência. Fizemos muitas mudanças, mas nunca foi por atropelo, por questionamento e nem por práticas que não devem ser do serviço público — afirma.
"Eu sabia do meu papel"
Sartori afirma que as mudanças de seu mandato exigiram decisões difíceis — entre elas, extinção de fundações, redução de secretarias e parcelamento de salários dos servidores:
— Eu sabia do meu papel, sabia que tinha que cumprir esse papel e sabia que tinha que fazer isso. É duro? É difícil? Não é uma questão que alguém sente prazer em fazer isso? Não é nada prazeroso. É que você tem que plantar isso para poder olhar para frente e fazer com que as coisas andem, porque o Estado é de todos, não é de alguns.
"Já foi uma grande coisa"
Sartori também relembra a campanha à reeleição, em 2018, quando foi derrotado por Eduardo Leite (então no PSDB) no segundo turno.
— Acho que nós temos que agradecer ter ido para o segundo turno. Já foi uma grande coisa — afirma, em alusão a medidas impopulares.
Na mesma campanha, Leite e Sartori protagonizaram uma rusga. O então candidato do PSDB disse que o governador precisava “tirar a bunda da cadeira”.
— Eu tive tranquilidade, eu não fui mal-educado. É só pegar a resposta que eu dei que está ali escrito. Tem jeito, tem formas, tem maneiras. Eu acho que uma pessoa educada não faria.

