
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou em audiência pública nesta terça-feira (7) que a eventual aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um ano eleitoral.
O encontro, promovido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), debate a possível adoção de sobretaxas contra produtos brasileiros. Flávio participou da audiência acompanhado do irmão, Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que atualmente vive nos Estados Unidos.
No discurso, o senador defendeu que a medida não seja implementada neste momento e argumentou que o cenário político brasileiro poderia ser alterado, conforme o g1:
— O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro, daqui a apenas 90 dias. O cenário político do país seria completamente diferente com a imposição de uma tarifa agora, que seria difícil de reverter.
Flávio disse ainda que este seria "o pior momento possível" para a aplicação da medida e pediu que a decisão seja adiada:
— Peço respeitosamente apenas uma coisa: não imponham tarifas ao Brasil. Preservem o sucesso dessa reconciliação e permitam-nos negociá-la.
O USTR concluiu uma investigação em 1º de junho apontando que políticas e práticas do governo brasileiro prejudicam o comércio americano. Com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o órgão sugeriu medidas corretivas e abriu consulta pública sobre o tema. Entre as propostas estava a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções listadas em um documento de 73 páginas.
Adiamento do tarifaço
Em documento encaminhado ao USTR em 2 de julho, Flávio Bolsonaro já pedia o adiamento por 180 dias da aplicação das taxas contra exportações brasileiras, prazo que se encerraria após as eleições no Brasil.
No texto, o senador afirma que a aplicação de novas tarifas pode fortalecer Luiz Inácio Lula da Silva politicamente em ano eleitoral. Ele alega que o presidente tem dito que as ações no campo econômico são ataques à soberania nacional.
Lula criticou a atitude
Em resposta ao pedido de Flávio para o USTR, o presidente Lula criticou a ação do senador. "Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois", escreveu nas redes sociais na última quinta-feira (2).
Lula atribui as ameaças de tarifaço dos Estados Unidos a articulações da família Bolsonaro, especialmente ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro — que está nos Estados Unidos desde setembro, quando foi articular o apoio de Trump a seu pai na época em que ele estava sendo julgado por tentativa de golpe.
O petista disse ainda que a "origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros".
Lula criticou o que chamou de "entreguismo" da família Bolsonaro que, segundo ele, quer "submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano". Na postagem, o presidente ainda disse que Bolsonaro e seus aliados "querem entregar o Pix a interesses estrangeiros".



