Governador do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2003, Olívio Dutra é o quarto entrevistado do Memórias do Piratini. A série especial, que integra o Conversas Cruzadas, reúne todos os ex-governadores do Estado desde Jair Soares para revisitar os principais momentos de suas gestões. A única ausência é a de Alceu Collares, que morreu em 2024.
Natural de Bossoroca, nas Missões, Olívio Dutra começou sua história política em 1959, aos 18 anos, presidindo a União São-Luisense de Estudantes. Mais tarde, já funcionário do Banrisul, liderou o Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Sul, articulou uma greve geral e chegou a ser preso pela ditadura militar.
Pelo PT, partido que ajudou a fundar e ao qual segue filiado, elegeu-se deputado federal e prefeito de Porto Alegre. Disputou o governo do Estado duas vezes antes de ser eleito pelos gaúchos em 1998. Durante a conversa com a comunicadora Andressa Xavier, ele relembrou a disputa:
– Uma vitória que foi construída de baixo para cima e de forma coletiva e solidária com partidos que inclusive não tiveram no primeiro turno conosco. Era um projeto coletivo, para a sociedade, para o campo mais necessitado de ser ouvido, de ser participante de um Estado que, na nossa concepção, tem que ser Estado democrático, de direito, republicano.
“A Ford é que perdeu o Rio Grande”
O fim das negociações com a Ford é um dos assuntos discutidos ao longo da entrevista. A empresa, que havia assinado um contrato com o governo anterior (de Antônio Britto), desistiu de construir uma unidade em Guaíba, na Região Metropolitana, e acabou transferindo o projeto para Camaçari (BA).
— Aquilo foi uma proposta de favorecimento para um grupo econômico, uma empresa multinacional que tinha uma receita superior ao orçamento do Rio Grande — afirma o ex-governador. — O Estado do Rio Grande do Sul ganhou essa disputa. A Ford é que perdeu o Rio Grande — completa.
“Eles queriam excluir o povo”
O ex-governador também refletiu sobre sua relação com os movimentos sociais, principalmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nos seus quatro anos de mandato, cerca de 5 mil famílias foram assentadas.
— O MST tem que ter vez e voz, é uma organização legitimada pela sua conduta, a reforma agrária não é uma invenção recente, é uma luta antiga — afirma Dutra.

