Governadora do Rio Grande do Sul entre 2007 e 2010, Yeda Crusius é a sexta entrevistada do Memórias do Piratini. A série especial, que integra o Conversas Cruzadas, reúne todos os ex-governadores do Estado desde Jair Soares para revisitar os principais momentos de suas gestões. A única ausência é a de Alceu Collares, que morreu em 2024.
Primeira, e única, mulher a assumir o governo do Estado, Yeda reflete sobre o feito e a presença feminina na política.
— É uma mulher na política, como era uma mulher na economia. Hoje, não. Hoje já é mais comum (na economia), na política ainda não. Porque a política ainda é feita de poder, com ferramentas que não têm aquelas capacidades femininas necessárias para você fazer de uma maneira mais harmoniosa, mais justa, mais cuidadora — afirma.
“Ele que brigou comigo”
Durante a conversa, a ex-governadora relembra momentos turbulentos do seu mandato, como a relação conturbada com o vice Paulo Afonso Feijó. Conforme ela relata na conversa com a comunicadora Andressa Xavier, os desentendimentos entre os dois iniciaram ainda na fase da pré-campanha eleitoral:
— Ele que brigou comigo. Foi durante a campanha, quando, junto com o marqueteiro, que eu trouxe de fora, quiseram dominar a parte financeira. Que não existia. Tudo eram eles. Aí foram os dois até a imprensa. Sabe que tudo relativo ao governo, ou a proposta de governo da Yeda, era uma manchete de jornal.
"Foi motivo de chacota"
Um dos temas reforçados ao longo da entrevista, a política do déficit zero é considerada pela ex-governadora uma das marcas do seu mandato. Com ampliação de cortes, congelamento de contratações e proibição de gastos ordinários por cem dias, o equilíbrio das contas foi atingido em 2008.
— Hoje todo mundo fala. Não era só uma condição moral, ele era uma condição prática de se poder financiar sem precisar do governo federal e foi motivo de chacota. Então, não são só questões técnicas, é que eu escolho politicamente um conjunto de prioridades e as suas ferramentas para poder governar o coletivo — explica.


