
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria tratado como prioridade os pagamentos para financiar o filme Dark Horse, obra que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme novas mensagens divulgadas pelo portal Intercept Brasil nesta terça-feira (2).
As mensagens em questão mostram Vorcaro orientando o cunhado Fabiano Zettel sobre o assunto. "Esse é o mais importante disparado. Não pode falhar mais", escreveu Vorcaro no dia 28 de janeiro de 2025.
As orientações do banqueiro ocorreram dias após o empresário Thiago Miranda transmitir a Vorcaro uma cobrança feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), atualmente pré-candidato à presidência da República.
Flávio Bolsonaro, Vorcaro e Dark Horse
No mês passado, o Intercept revelou que Flávio e Vorcaro acertaram o pagamento de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, dos quais R$ 61 milhões haviam sido efetivamente pagos até 2025. O Estadão confirmou que esses valores estão referidos nos documentos contidos na investigação do caso Master.
Flávio negou qualquer irregularidade no caso. Inicialmente, ele disse que não havia dinheiro de Vorcaro no filme. Depois, reconheceu os aportes, mas afirmou que era "um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai".
As cobranças de Flávio
No dia 20 de janeiro, o empresário Thiago Miranda encaminhou para Vorcaro o print de uma mensagem que recebeu de Flávio:
"Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor. Sei que vc não tem ingerência lá, mas acho que vale uma cobrada para que tenham um prazo final para fazer. Lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só. Ela me pertubam sic e eu te perturbo aqui!! rs", escreveu Flávio, segundo o Intercept.
A preocupação que Flávio Bolsonaro tinha com os pagamentos se repetiria ao longo de 2025. Em setembro, ele enviou um áudio diretamente a Vorcaro, na qual faz uma cobrança direta ao dono Master:
— Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado — disse.
Em 16 de novembro, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez, o pré-candidato do PL escreveu novamente para o banqueiro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs abraços!".
Flávio visitou Vorcaro na casa dele após o banqueiro deixar a prisão no final de novembro utilizando tornozeleira eletrônica. Segundo o senador, a visita teve como objetivo colocar "ponto final nessa história".
— (Fui) dizer que, se ele tivesse avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito tempo, e o filme não correria risco. Foi uma grande dificuldade arrumar outros investidores — disse Flávio.
A participação de Fabiano Zettel
Fabiano Zettel, cunhado de Flávio, atuava como operador financeiro do esquema do Master. No dia 21 de janeiro, um dia após Thiago Miranda repassar a cobrança de Flávio a Vorcaro, Zettel pede orientações ao banqueiro sobre pagamentos diversos que somam 55,5 milhões — não está claro se o valor é em reais ou em dólares.
"O filme tá nesse negócio? Avisa todo mundo que vai na sexta tudo", disse Vorcaro.
"Não. Porque o fluxo é gigante. 10 de 2.5 de dólares", responde Zettel, indicando a divisão dos repasses em 10 vezes de US$ 2,5 milhões, o que totalizaria US$ 25 milhões.
Uma semana depois, em 28 de janeiro, Vorcaro volta a cobrar Zettel. "Filme vc pagou?", questiona. "Irmão, não vem 1 real tem 3 semanas... kkkkkkk Paguei foi nada...", responde o cunhado, acrescentando que os repasses para o filme não estão na conta dos 55,5 milhões.
"Putz. Esse é o mais importante disparado. Não pode falhar mais", diz Vorcaro a Zettel.




