
O banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, é um dos alvos da nona fase da Operação Compliance Zero. Nesta etapa, a Polícia Federal (PF) investiga a participação de agentes públicos em esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master. Outro investigado na ação é Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
Lima adquiriu o controle do Banco Pleno, liquidado em fevereiro deste ano pelo Banco Central (BC). Ele chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado, na primeira fase da investigação. Após ser solto, no mesmo mês, ele não foi alvo de outras fases.
Segundo a PF, o banqueiro teria atuado na operação fraudulenta de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Ele é considerado um empresário influente na Bahia, com trânsito entre políticos do PT e também da oposição.
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De acordo com apuração do jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, Lima passou a ganhar notoriedade após comprar a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Com a compra, ele também adquiriu o Credcesta, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.
Segundo um requerimento da CPMI do INSS, a ampliação do sistema transformou o cartão Credcesta em um produto de crédito consignado "que se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras". Porém, uma parte relevante desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não eram informados às autoridades ou não tinham recursos suficientes para operar de acordo com a legislação.
Em nota à imprensa, a defesa de Lima afirmou que ele "sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública". Veja a nota na íntegra abaixo.
Liquidação do Banco Pleno
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), empresas que faziam parte do Grupo do Banco Master em 18 de fevereiro.
O Pleno foi vendido pelo Master para Augusto Lima em julho de 2025. Para conceder a autorização de compra, o Banco Central fez uma série de exigências, incluindo que a instituição não crescesse com base na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), para limitar sua exposição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Lima vinha aportando recursos e tentando encontrar fontes de captação para o banco, o que se tornou desafiador sem a emissão de CDBs. Ao mesmo tempo, tinha de honrar os CDBs vincendos. Os técnicos do BC, que acompanhavam o caixa do Pleno diariamente, constataram que o banco não tinha liquidez nem para honrar vencimentos de curtíssimo prazo. Por isso, houve a opção pela liquidação.
De acordo com a instituição, a decisão foi motivada "pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil".
A empresa era considerada pelo BC como de pequeno porte, detendo apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O que diz a defesa de Augusto Lima
As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.




