
Os investigadores que analisam a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam que o texto não apresenta fatos novo.
Segundo O Globo, os policiais envolvidos na apuração do caso Master acreditam que ele adotou um tom de defesa no material levado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF).
Uma nova reunião entre seu advogado e os órgãos de investigação deve ocorrer ainda nesta semana.
A primeira proposta de delação foi apresentada por sua defesa mas foi negada pelos policiais e procuradores em 20 de maio. Na ocasião, a PF chegou a afirmar que havia encerrado as negociações com Vorcaro para uma colaboração.
Porém, no fim do mês passado, a corporação resolveu reabrir a negociação diante da indicação de que o ex-banqueiro pudesse entregar elementos inéditos. A nova proposta foi então apresentada em 1° de junho.
A delação premiada
Em 20 de maio, a PF rejeitou a primeira versão da delação. O acordo segue em negociação com a PF e com a PGR de forma conjunta.
Segundo a investigação, o material apresentado pela defesa acrescentava pouco em relação ao que já foi levantado pela Polícia Federal. Eles afirmam que a impressão é de que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas.
A proposta está pautada em uma sequência de capítulos do que o executivo pretende revelar para os investigadores.
Cada anexo no conteúdo é relacionado a um tema diferente, indicando as pessoas envolvidas no caso do Banco Master e meios para a confirmação das acusações.
Após analisarem o conteúdo, a PF e a PGR poderão a marcar depoimentos com Daniel Vorcaro para construir uma delação que deverá ser entregue para análise do Supremo Tribunal Federal (STF).
Preso na Superintendência
Em 18 de maio, Vorcaro foi transferido internamente para uma cela comum na carceragem da Superintendência do Distrito Federal.
Com isso, ele passou a ser submetido às regras do normativo interno da PF para a visita de advogados. Essas regras permitem duas visitas por dia por um período de meia hora.
Antes, ele estava alocado em uma sala de Estado-Maior que havia sido reformada para abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro no cumprimento de sua prisão. Vorcaro ficou no local para trabalhar na sua proposta de delação premiada com seus advogados e passava quase o dia inteiro reunido com eles.
A PF já havia solicitado a André Mendonça que Vorcaro fosse transferido de volta para um presídio, sob o argumento de que as condições dele na prisão na Superintendência alteravam e afetavam a rotina da administração.
Quem é Daniel Vorcaro
Banqueiro de 42 anos, Vorcaro ingressou no setor em 2016, quando adquiriu participação no Banco Máxima, então em dificuldades. Em 2018, assumiu o controle e, em 2021, rebatizou a instituição como Banco Master.
O banco de Vorcaro adotou uma estratégia agressiva no mercado financeiro, mas acabou em crise. A tentativa de venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB) enfrentou resistência no Banco Central, que, mais tarde, decretou a liquidação do Master.
Em novembro de 2025, Vorcaro foi preso ao tentar deixar o país por suspeita de fraudes contra o sistema financeiro. O banqueiro voltou a ser preso em março de 2026.
Filho de Henrique Vorcaro, fundador da construtora Multipar, Daniel tem dois filhos.


