O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a sexta fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (14). Um dos alvos é Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a decisão, ele seria o operador financeiro dos pagamentos destinados ao grupo chamado "A Turma".
Henrique Vorcaro foi detido em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Ele iria a Brasília para visitar o filho na Superintedência da PF. Veja abaixo o que diz a defesa dele
Leia a decisão na íntegra
Clique abaixo para saber o que diz a decisão sobre:
Sexta fase da Operação Compliance Zero
São cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens.
Os demais alvos dos mandados de prisão são:
- Anderson Wander da Silva Lima: policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro
- Sebastião Monteiro Júnior: policial militar aposentado
- David Henrique Alves: segundo a decisão, figurava como "líder" do núcleo "Os Meninos"
- Manoel Mendes Rodrigues: descrito como "operador do jogo do bicho" e integrante do núcleo "A Turma"
- Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos: teria desempenhado papel de colaborador técnico e logístico do núcleo "Os Meninos"
- Victor Lima Sedlmaier: integrante do núcleo "Os Meninos"
Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada da PF, e Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado, também estão entre os investigados. Eles atuavam no repasse de informações sigilosas para Marilson Roseno – escrivão aposentado da PF – a partir de consultas realizadas em uma plataforma interna utilizada pela corporação.
A delegada foi afastada das funções na corporação e proibida de acessar as dependências da PF e de ter contato com servidores policiais federais, da ativa ou aposentados, assim como o policial aposentado Francisco José Pereira.
O que a decisão
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, a investigação revelou a existência de dois núcleos operacionais complementares.
“A Turma”
Voltado à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
Nome importante desse grupo é o de Marilson Roseno da Silva, apontado como liderança operacional. Ele é um policial federal aposentado, que está preso desde março. A decisão desta quinta-feira autoriza a transferência dele para uma prisão federal.
O papel de Marilson seria coordenar as ações de intimidação aos desafetos e conseguir informações sobre investigações que tinham os Vorcaro como alvo. Para isso, Marilson faria pagamentos a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, afastada das funções, e a um agente da própria Polícia Federal, Anderson da Silva Lima, também preso nesta fase da operação.
“Os Meninos”
Perfil eminentemente tecnológico e voltado à prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal.
Segundo a investigação, funcionava assim: a partir de necessidades de Daniel Vorcaro, Sicário dava ordens a David Henrique Alves, que foi preso numa outra fase da operação. Rodrigo Pimenta e Victor Sedlmaier são apontados como os hackers que executaram os crimes cibernéticos. Os dois foram presos na operação desta quinta.
Os dois grupos, segundo a investigação, seria gerenciados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Ele foi encontrado desacordado em uma cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais e morreu dois dias depois no hospital.
O papel de Henrique Vorcaro

A decisão de André Mendonça aponta Henrique Vorcaro como mandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo “A Turma”.
"A representação policial o situa não apenas como pai de Daniel Bueno Vorcaro, mas como agente que atuava em conjunto com o filho, em posição de colaboração direta, como solicitador e beneficiário dos serviços ilícitos prestados pelo grupo, além de exercer função própria e autônoma na engrenagem financeira voltada à sua sustentação", diz trecho da decisão.
Segundo o documento, foram extraídas conversas do celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva que apontam que Henrique Vorcaro seguiu solicitando serviços ilícitos mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero, "inclusive com menções a repasses vultosos, necessidade de pagamentos para viabilizar o atendimento das demandas, uso de número estrangeiro e troca frequente de terminais, o que reforça a contemporaneidade e a sofisticação do agir investigado".
Ainda conforme conta na decisão, em mensagem enviada no dia 9 de janeiro deste ano, quando a investigação contra o Banco Master já havia se iniciado, o pai de Daniel Vorcaro afirma: "No momento em que estou é que preciso de vocês”. Para a PF, Henrique refere-se "A Turma".
Em outra conversa, do dia 6 de janeiro, o policial federal aposentado afirma necessitar de "pagamento ajustado". O pai de Daniel Vorcaro responde que receberia recursos nos próximos dias e que quando isso ocorresse “imediatamente” enviaria “400”. Marilson respondeu, dizendo que o ideal seria "o envio de 800k".
Para a Polícia Federal, a troca de mensagens inidica que Henrique pagava o núcleo chamado "A Turma", e, em contrapartida, utilizava-se de seus serviços ilícitos. Segundo a apuração, o valor de R$ 400mil é compatível com a quantia que seria destinada mensalmente à manutenção do grupo.
Contraponto
A defesa de Henrique Vorcaro enviou a seguinte nota para a TV Globo:
"Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele.
O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje".
A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dos demais investigados.

