
O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso nesta quinta-feira (14) durante uma operação da Polícia Federal.
De acordo com a investigação da PF, ele é suspeito de integrar o grupo chamado "A Turma", usado para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas, incluindo o jornalista Lauro Jardim.
Ele também teria se beneficiado de desvios do Banco Master, por meio de operações fraudulentas com fundos de investimento. Veja abaixo o que diz a defesa dele
Quem é Henrique Vorcaro
No Linkedin, Henrique aparece como presidente do Grupo Multipar, empresa do ramo imobiliário com base em Minas Gerais fundada há 35 anos.
Conforme o site do grupo na internet, a empresa teria participado de empreendimentos em Belo Horizonte e também investia em setores como educação, tecnologia, turismo, alimentação, mineração e hotelaria.
O papel de Henrique Vorcaro
A decisão de André Mendonça aponta Henrique Vorcaro como mandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo “A Turma”.
"A representação policial o situa não apenas como pai de Daniel Bueno Vorcaro, mas como agente que atuava em conjunto com o filho, em posição de colaboração direta, como solicitador e beneficiário dos serviços ilícitos prestados pelo grupo, além de exercer função própria e autônoma na engrenagem financeira voltada à sua sustentação", diz trecho da decisão.
Segundo o documento, foram extraídas conversas do celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva que apontam que Henrique Vorcaro seguiu solicitando serviços ilícitos mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero, "inclusive com menções a repasses vultosos, necessidade de pagamentos para viabilizar o atendimento das demandas, uso de número estrangeiro e troca frequente de terminais, o que reforça a contemporaneidade e a sofisticação do agir investigado".
Ainda conforme conta na decisão, em mensagem enviada no dia 9 de janeiro deste ano, quando a investigação contra o Banco Master já havia se iniciado, o pai de Daniel Vorcaro afirma: "No momento em que estou é que preciso de vocês”. Para a PF, Henrique refere-se "A Turma".
Em outra conversa, do dia 6 de janeiro, o policial federal aposentado afirma necessitar de "pagamento ajustado". O pai de Daniel Vorcaro responde que receberia recursos nos próximos dias e que quando isso ocorresse “imediatamente” enviaria “400”. Marilson respondeu, dizendo que o ideal seria "o envio de 800k".
Para a Polícia Federal, a troca de mensagens inidica que Henrique pagava o núcleo chamado "A Turma", e, em contrapartida, utilizava-se de seus serviços ilícitos. Segundo a apuração, o valor de R$ 400mil é compatível com a quantia que seria destinada mensalmente à manutenção do grupo.
Prisões na Família Vorcaro
Além de Henrique e Daniel, que foi preso em março pela Polícia Federal, outros quatro membros da família Vorcaro já foram presos pela Compliance Zero.
Felipe Cançado Vorcaro
Primo de Daniel, ele atuava como operador financeiro. Era responsável pela logística dos pagamentos mensais e manobras societárias.
Oscar Vorcaro
Pai de Felipe. É apontado como diretor formal da empresa BRGD S.A., que servia como fonte dos recursos para o esquema.
Fabiano Zettel
Zettel é cunhado do banqueiro e foi preso em março. Ele é um dos integrantes de "A Turma" e é investigado por participar do esquema que teria recebido R$ 190,2 milhões em dividendos de um fundo apontado como instrumento de lavagem de dinheiro.
Sexta fase da Compliance Zero
Além da prisão de Henrique Vorcaro, a sexta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, cumpriu seis mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens.
Segundo a PF, estão sendo investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
Os demais alvos dos mandados de prisão são:
- Anderson Wander da Silva Lima: policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro
- Sebastião Monteiro Júnior: policial militar aposentado
- David Henrique Alves: segundo a decisão, figurava como "líder" do núcleo "Os Meninos"
- Manoel Mendes Rodrigues: descrito como "operador do jogo do bicho" e integrante do núcleo "A Turma"
- Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos: teria desempenhado papel de colaborador técnico e logístico do núcleo "Os Meninos"
- Victor Lima Sedlmaier: integrante do núcleo "Os Meninos".
Leia a decisão de André Mendonça
Contraponto
A defesa de Henrique Vorcaro enviou a seguinte nota para a TV Globo:
"Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele.
O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje".
A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dos demais investigados.
