
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (7), nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Pela primeira vez, a apuração alcança o núcleo político do caso, tendo entre os alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e presidente nacional do partido.
Nascido em Teresina, em 21 de novembro de 1968, Nogueira é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Começou a trajetória política no Piauí e foi eleito deputado federal por quatro mandatos consecutivos antes de chegar ao Senado, em 2011. Em 2018, foi reeleito para a Casa.
Desde 2013, preside nacionalmente o Progressistas (PP). Ao longo da carreira, participou de articulações políticas em diferentes governos e ampliou a influência do partido em negociações no Legislativo.
Entre 2021 e 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, se tornando um dos principais articuladores políticos da gestão.
Nos últimos anos, o parlamentar se consolidou como uma das lideranças da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado e mantém atuação em debates sobre economia e articulação partidária.
Na operação desta quinta-feira, agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de busca e apreensão contra o senador. Em nota, a defesa afirmou que ainda não teve acesso aos motivos da operação e, por isso, não comentaria o caso neste momento.
O irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Nogueira, também é alvo de buscas. A ofensiva prendeu Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, em Minas Gerais.
Ligação com Daniel Vorcaro
Em março, a Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, diálogos com Ciro Nogueira e ordens do empresário para pagamento a uma pessoa de nome "Ciro", citado sem o sobrenome.
Em algumas das mensagens, Vorcaro se refere como um "grande amigo de vida". Na mesma conversa, de agosto de 2024, o banqueiro comemora uma iniciativa legislativa de Ciro que beneficiava o Master a qual chamou de "bomba atômica no mercado financeiro".
A data da mensagem coincide com a da proposta de emenda à Constituição (PEC) de autonomia financeira do Banco Central, apresentada por Ciro Nogueira para aumentar o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.
A proposta foi identificada por políticos e integrantes do mercado financeiro como uma das primeiras "digitais" de favorecimento ao Master no Congresso. A cobertura do FGC era uma das principais estratégias do Banco Master para alavancar os investimentos em seus certificados de depósitos bancários (CDBs).
Esta é a quinta fase da operação e foi deflagrada na mesma semana em que a defesa do banqueiro entregou à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada, ainda sob análise dos investigadores. A nova fase não tem relação com os fatos apresentados na proposta de delação, que no estágio atual não tem valor probatório.
Na quarta fase, deflagrada em 16 de abril, a PF prendeu o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que também decidiu buscar um acordo de delação.
Contraponto
Confira a nota na íntegra da defesa do senador:
A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.
Antônio Carlos de Almeida Castro - Kakay
Roberta Castro Queiroz
Marcelo Turbay
Liliane de Carvalho
Álvaro Chaves
Ananda França
Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados





