
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou pela primeira vez sobre as mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Os diálogos foram vazados em reportagem do Intercept na quarta-feira (13). De acordo com o g1, Lula disse que o caso é "de polícia" e que não vai fazer mais comentários:
— Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então, vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunta como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, tratar da Petrobras e tratar do emprego.
A declaração ocorreu durante uma visita a uma fábrica de fertilizantes da Petrobas em Camaçari, na Bahia.
As conversas
Os diálogos entre Flávio e Vorcaro foram divulgados pelo Intercept Brasil em reportagem que conta com áudio e trechos de conversas. Segundo o veículo, Vorcaro pagou R$ 61 milhões para a produção do filme Dark Horse, entre fevereiro e maio de 2025. O longa conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado — diz Flávio Bolsonaro no áudio divulgado.
Nas mensagens, Flávio Bolsonaro escreve ainda a Vorcaro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs."
A mensagem teria sido enviada no dia 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco. O Master foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025.
O que disse Flávio
Em nota, Flávio Bolsonaro admitiu que procurou patrocínio:
"Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai."
Segundo ele, não foram pedidas vantagens em troca: "Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem."
Em um vídeo publicado no Instagram, Flávio afirma que existia um contrato com Vorcaro:
— Com o passar do tempo ele simplesmente parou de honrar as parcelas do contrato. Sim, tinha um contrato. Em função disso, inclusive, procuramos outros investidores para concluir esse filme.
Mais cedo, antes de admitir que pediu dinheiro ao banqueiro, Flávio Bolsonaro afirmou ser "mentira" que o filme Dark Horse tenha tido o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro. Na manhã de quarta-feira (13), foi questionado por um repórter do Intercept Brasil sobre o tema, em conversa com outros jornalistas, antes da publicação da reportagem do veículo que revela a negociação.
— É mentira, de onde você tirou isso? — diz Flávio.
Depois, o jornalista afirma que o Intercept divulgaria mensagens de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro. O senador, em seguida, fala:
— É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado.
Produtora do filme nega
Notas divulgadas pelo deputado Mário Frias (PL-RJ), produtor-executivo do filme Dark Horse, e da empresa Goup, responsável pela execução do projeto cinematográfico asseguram que nenhum recurso de Vorcaro chegou até eles.
A versão contradiz a informação de Flávio Bolsonaro que declarou haver prestações em atraso da ajuda financeira do dono do Master e que por isso entrou em contato com Vorcaro pedindo os pagamentos.
"A Goup Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", diz nota da produtora.



