O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu, durante sessão do Congresso Nacional nesta quinta-feira (21), a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master, afirmando que não teria “nada a esconder”.
— É necessária a instalação da CPMI do Master. Faço um desafio: quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados no banco da CPMI, explicando qual era a relação deles com Flávio Bolsonaro, Lula e Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer, nada a esconder — destacou o senador no plenário.
A declaração ocorre dias após Flávio Bolsonaro ter admitido publicamente, em entrevista à GloboNews, que escondeu sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso na Polícia Federal.
Na mesma sessão do Congresso para analisar um veto à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), demais parlamentares também registraram que são a favor da CPMI do Master.
O que Flávio Bolsonaro escondeu

Na quarta-feira da semana passada (13), o senador Flávio Bolsonaro alegou que possuía uma cláusula de confidencialidade ligada ao financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mais cedo no mesmo dia, o jornal Intercept Brasil divulgou que Flávio teria pedido para Daniel Vorcaro dinheiro para pagar as despesas do filme. O senador teria, inclusive, visitado o banqueiro enquanto ele usava tornozeleira eletrônica.
Segundo as trocas de mensagens divulgadas pelo Intercept, entre fevereiro e maio de 2025, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme Dark Horse. Os diálogos fazem parte da extração do conteúdo do primeiro telefone celular do banqueiro, que foi apreendido pela Polícia Federal na primeira fase da Operação Compliance Zero.
À GloboNews, Flávio Bolsonaro admitiu que mentiu sobre sua relação com o dono do Banco Master:
— Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores.
Conforme o senador, seu contato com Vorcaro era "exclusivamente" relacionado ao andamento de Dark Horse.
CMPI do Banco Master
Desde que a informação do contato entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para o financiamento da produção audiovisual se tornou pública, o senador tem reiterado a necessidade da instalação de uma CPMI do Banco Master. Em nota, escreveu que "é preciso separar os inocentes, dos bandidos".
Nota de Flávio Bolsonaro:
"Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ."


