
Um áudio divulgado pelo veículo de notícias Intercept Brasil, nesta quarta-feira (13), releva uma conversa entre o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O conteúdo principal do diálogo é referente às despesas do filme Dark Horse — que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o Estadão, os diálogos são autênticos e fazem parte da extração do conteúdo do primeiro telefone celular do banqueiro, que foi apreendido pela Polícia Federal na primeira fase da Operação Compliance Zero.
No áudio, Flávio afirma que aquele seria "um dos momentos mais difíceis" da vida do senador e do banqueiro. Ele reforça ainda o filme Dark Horse está em etapa decisiva e que "tem muita parcela para trás". De acordo com informações do Intercept, Vorcaro teria pagado R$ 61 milhões para a produção do filme.
— E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? — dispara Flávio em mensagem encaminha a Vorcaro.
A mensagem teria sido enviada no dia 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco. O Master foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025.
"Efeito ao contrário"

O filme em questão pretende revisitar a campanha presidencial de 2018 e a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O elenco é formado por Lynn Collins, Esai Morales e Felipe Folgosi. As primeiras imagens da produção já foram divulgadas (veja acima).
No conteúdo divulgado pelo Intercept, Flávio diz que estaria "preocupado" com que o filme tenha o efeito contrário do que o esperado.
— Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus (Nowrasteh, diretor do filme), os caras pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim — diz o senadora no áudio.
Confira na íntegra
"Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente está passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui para frente, como é que isso tudo vai, vai acabar, mas está na mão de Deus aí. E você também eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né?
Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara.
Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que que faz, cara, da vida, porque eu tem muita já tem muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara. Todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Podendo dar um toque aí, irmão. Desculpa o áudio longo aí, tá? Um abração, fica com Deus, cara."


