
A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro terá desdobramentos na campanha dos principais pré-candidatos ao governo do Estado. Enquanto o entorno de Luciano Zucco (PL) se prepara para a exploração política do caso, as equipes de Gabriel Souza (MDB) e de Juliana Brizola (PDT) avaliam como usar o material na tentativa de desgastar o adversário.
Revelada pelo site The Intercept Brasil, a cobrança de repasses ao dono do Banco Master para a finalização do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, causou um abalo no grupo de Zucco não só pelo teor da conversa, mas também pelo momento em que foi divulgada. Inserções da propaganda partidária do PL estadual no rádio e na TV que estão sendo veiculadas essa semana mostram Zucco e Flávio Bolsonaro juntos, conversando no palco e de braços dados.
Comerciais foram veiculados na noite de quarta-feira (13), em meio à edição do Jornal Nacional que recém havia noticiado o pedido de dinheiro. Em mensagem de áudio enviada a Vorcaro, Flávio chama o banqueiro de “irmão” antes de dizer “estarei contigo sempre, não existe meia conversa entre a gente”.
Internamente, causou incômodo aos dirigentes da coligação de direita ao Piratini o silêncio nas redes sociais de Zucco e do pré-candidato ao Senado pelo PL, Sanderson, após a revelação da conversa. Em grupos de WhatsApp, aliados se disseram constrangidos com a falta de uma defesa pública de Flávio.
— É um pedido de patrocínio privado para um filme privado. Não tem relação de dinheiro público e nem favor de governo envolvido. Mas vamos investigar tudo e todos. Espero que agora o PT queira investigar também, eles que sempre barraram as investigações. Eu sempre fui a favor, e não mudo um milímetro agora — comentou Zucco na manhã desta quinta-feira (14), defendendo a criação da CPI do Banco Master.
A declaração mantém sintonia com a defesa de Flávio. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador usou o mesmo argumento para se defender, ressaltando se tratar de uma relação privada, sem uso de dinheiro público. Nos bastidores, o PL estadual admite desconforto com a situação e sabe que o tema será explorado na corrida ao governo do Estado.
O entendimento é de que o momento é de cautela e que não pode haver precipitações. O partido vai aguardar os próximos movimentos para medir a repercussão e verificar se a crise vai escalar. Por enquanto, a resposta pública é a defesa da CPI e de que o banco Master também teria financiado filmes sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Michel Temer.
Adversários avaliam cenário
No MDB, a campanha de Gabriel Souza ainda não debateu como reagir ao assunto. Estrategistas afirmam que, como a notícia veio à tona no momento em que Zucco tenta colar sua imagem à de Flávio, o ideal é deixá-lo se desgastar respondendo pelas suspeitas em torno do aliado.
Para justificar a postura, eles apontam três problemas correlatos para a aliança de Zucco: o fato de Flávio ter negado qualquer repasse de Vorcaro antes de admitir os pagamentos; a declaração do produtor-executivo do filme, Mário Frias, de que não recebeu nenhum centavo; e o ataque a Flávio do pré-candidato Romeu Zema (Novo), cujo partido está na chapa de Zucco.
Por enquanto, a ideia é aguardar novos desdobramentos antes de explorar o caso na pré-campanha. Presidente do partido, o deputado Vilmar Zanchin disse que vai aguardar o avanço das investigações antes de qualquer declaração pública.
No PDT, o coordenador-geral da campanha de Juliana Brizola, Vieira da Cunha, afirma que o tema será inevitável na campanha. Para Vieira, a eleição estadual está muito vinculada à disputa nacional, o que reforça a necessidade de destacar os elos de cada candidato com os postulantes à Presidência.
— Ainda ontem (quarta-feira), na Federasul, o Zucco disse: “eu sou Flávio Bolsonaro e a Juliana é Lula”. E ele tem razão. É impossível dissociá-lo da família Bolsonaro. A população sabe o que está acontecendo e o desgaste político é evidente. Claro que esse assunto estará presente na campanha — afirma Vieira.



