
Sete ex-governadores do Rio de Janeiro foram investigados nos últimos 40 anos por envolvimento em esquemas de corrupção ou outras irregularidades. Desses, cinco chegaram a ser presos.
Outros cinco governadores, entre eleitos e vices que assumiram o mandato, nunca sofreram investigações (veja, mais abaixo, a lista).
Nesta sexta-feira (15), o ex-governador Cláudio Castro foi alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, que apura supostas fraudes na atuação de um conglomerado do setor de combustíveis.
Agentes cumpriram o mandado de busca e apreensão na residência do político, na cobertura de um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. O telefone e o tablet do ex-governador foram apreendidos pela PF.
Atualmente, o Rio de Janeiro é governado, de forma interina, pelo desembargador Ricardo Couto de Castro.
Os investigados
Cláudio Castro

O ex-governador Cláudio Castro, que ocupou o posto de 2021 a 2026, já havia sido indiciado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção passiva e peculato em um suposto esquema de desvio de recursos públicos do Estado. O ex-governador, filiado ao PL, não foi preso.
A reportagem procurou o advogado Carlo Luchione, que defende Castro, e aguarda retorno.
Wilson Witzel

O ex-governador Wilson Witzel, que governou o Rio de 2019 até 2021, foi afastado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em investigação sobre suposto esquema de corrupção, mas acabou deposto definitivamente do cargo ao sofrer impeachment. O ex-governador não chegou a ser preso.
Após o impeachment, Witzel afirmou no X que houve um golpe e comparou o tribunal ao Estado Islâmico. Witzel questionou, em uma série de tuítes, o julgamento que decidiu por seu afastamento definitivo do governo do Rio. Atualmente, Witzel é advogado e atua em sua própria defesa. A reportagem tenta contato.
Luiz Fernando Pezão

Luiz Fernando Pezão foi governador de 2014 a 2018, eleito pelo MDB. Acabou preso em novembro de 2018, ainda no exercício do mandato, acusado de corrupção.
A reportagem procurou o escritório Mirza & Malan Advogados, que defende Pezão, e aguarda retorno. Em sua última manifestação, a defesa diz que o ex-governador foi "injustamente preso, com base em delações mentirosas".
Sérgio Cabral

Eleito pelo PMDB, Sérgio Cabral governou o Rio de 2007 a 2014 e foi preso em novembro de 2016 na Operação Lava Jato. Chegou a ser condenado a mais de 425 anos de prisão, mas teve parte das penas anuladas.
O Estadão falou com o escritório Bialski Advogados Associados, que defende Cabral, e aguarda manifestação.
Rosinha Garotinho

Eleita pelo PMDB, Rosinha Garotinho governou de 2003 a 2006 e foi presa em novembro de 2017, suspeita de crimes crimes eleitorais e corrupção.
A reportagem entrou em contato com o escritório Rafael Faria Advogados, que defende a ex-governadora e aguarda retorno.
Anthony Garotinho

Anthony Garotinho foi governador de 1999 a 2002, eleito pelo PDT e depois filiado ao PSB. Foi preso em várias ocasiões a partir de 2016 na investigação de crimes eleitorais. Durante o período, passou por diversos partidos. Hoje está filiado ao Republicanos.
A reportagem procurou a defesa de Garotinho e espera retorno. Nesta quinta-feira (14), o ex-governador disse em seu blog oficial que foi perseguido politicamente. "Todas as ações judiciais que eu respondi foram fruto de perseguição por investigações que eu realizei e coloquei na cadeia a maior quadrilha de ladrões de dinheiro público do Estado", afirmou Garotinho.
Wellington Moreira Franco

Nome histórico do MDB, Moreira Franco exerceu o mandato de 1987 a 1991, tendo sido preso em 2019 em investigação da Operação Lava-Jato, mas foi absolvido por falta de provas.
Os demais governadores
Desde o fim do regime militar em 1985, apenas dois governadores do Rio não sofreram investigação ou foram presos:
- Leonel Brizola (PDT), que governou de 1991 a 1994
- Marcello Alencar (PSDB), de 1995 a 1999
Outros três, também não investigados, assumiram o cargo temporariamente, na condição de vices:
- Nilo Batista (PDT), 1994
- Benedita da Silva (PT), 2002
- Francisco Dornelles (PP), em 2016 e 2018
Desses, somente Nilo Batista e Benedita da Silva estão vivos.




